terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Recomeço.

Todo ciclo que fecha, abre um novo. O início de um ano faz recomeço.
Recomeçar cada sonho, renovando-os. Trocar os amores, refazendo-os. Enfatizar os momentos fortes, relembrando-os. Criar desejos ímpares, REALIZANDO-OS.

Sempre é bom lembrar do que fez crescer.
É bom saber que no ano que passou eu me permiti ter menos amarras para amar; Saber que no ano que passou eu consegui descobrir a sutil diferença - real - entre me apaixonar e amar, e passei a controlar isso, de forma real. Ah! Bom também é esquecer quem não faz bem, e mudar o rumo da prosa...

É sempre bom olhar para trás e ver um chute de balde que muda o rumo das coisas e faz crescer. É bom ver que a gente sente quando evolui. E é melhor ainda ver o resultado. Sobretudo quando ele dá certo. Mesmo!

É bom ver os sonhos, todos eles, se realizando. Os sonhos pessoais, os da família, os de gente de longe, dos amigos. Bom ver que valeu a pena.

Bom mesmo é olhar pra trás e ver que valeu a pena. Valeram a pena todas as lágrimas, os gritos, os suspiros, as letras, os telefonemas, as trocas de olhares. Valeram a pena todas as noites mal dormidas, os dias perdidos com sono, a cama quente, o quarto vermelho. Valeram a pena todos os sim, todos os não, todos os deixa para depois e todos os não te quero mais. Valeram a pena os sorrisos, os amigos, as vodkas, as muitas vodkas, os violões, o baralho, a toalha de melancia, as gargalhadas. Valeram a pena as estradas, as viagens, as noitadas, as bebedeiras, as brincadeiras, os encontros, os desencontros. Valeram a pena os pequenos momentos, os cheios de expectativa, os sonhados, esperados. Valeram a pena as conversas, os conselhos, os toques, os abraços e acalantos dos pais. Tudo valeu! Muito mais que valeu, tudo fez crescer.

Foi um ano de transição, para o próximo que será ainda melhor. Bem melhor!
Que venha 2010, com muito trabalho, muitos livros, muitos sorrisos, um apartamento lindo meu e de Carol, uma faculdade irada, um bar sucesso total e muito muito mais!
2010 será O ano!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Só.

Estou só. Só até de mim mesma.
Não estou com muito tempo para pensar, tampouco com pouco tempo para pensar.
Mal tenho tempo de respirar esse ar quente e insuportável.
Parece que vou sufocar...

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Dormi com Outro.

Diferente de você, o olhar ele sempre desvia. Parece que tem medo, ou tem vergonha. Ele disse que seu sentido preferido é o olfato. Disse que desde sempre conhece o meu cheiro, e que ele é muito bom. Às vezes eu também acho o meu cheiro muito bom.
Na verdade, acho que o tato é o verdadeiro sentido dele. Ele tem mãos que sabem tocar, e tem um corpo quente, um abraço quente. Ele só não tem o calor que você tem, nem me faz sentir calafrios como você, mas ainda assim tem um abraço daqueles de não querer mais nada no mundo.
O seu abraço também é assim, mas acho que prefiro o seu beijo ao seu abraço. Ele disse que beijo tem a ver com paixão. E se há algo que sei que sempre senti por você foi paixão. Por isso ela vai e volta, por isso não me importo quando ela passa, por isso posso dormir nos braços de outro, porque isso não é traição. Não se traem paixões.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Nenhum Suingue - Vinicius Calderoni

(com pequenas alterações de gênero)

no tempo em que'u te conheci
você não era essa pessoa
sem nenhum suingue
que se discorda quer levar pro ringue
quando acorda o dia é sempre igual

cintura dura, escura estrada
com você não haverá
um só verão que vingue
pois eu aponto o sol em cada esquina
mas você só fala em temporal

assim está
de lá não sai
do céu não cai
a salvação
não é igual aos filmes
serenata pra te ver sorrindo
balde d'água pr'eu ficar no chão

mas alto lá que eu lembro bem
te conheci
e além de belo você era livre
decidido a ser feliz na vida
sem firmar contrato e coisa e tal

quer saber?!
acho até
que te achei
numa hora chata
mas depois
fé em deus
se der pé
nova estrada

pro dia em que'u te encontrar
eu decifrar
o teu mistério ó doce esfinge
por fim
e trazer de volta o teu suingue
pra espantar de vez o temporal

sábado, 12 de dezembro de 2009

Sonho.

Hoje sonhei com você.
Deitados juntos ríamos tanto, de tudo. E seu beijo era, como sempre, o mais gostoso; e seus olhos olhavam fundo nos meus, e me convenciam de todas aquelas besteiras que dizia. E como dizia... Muitas!
E você tinha escrito um livro, e tinha falado tanto em mim. Um livro! Quem diria? Quando você escreveria um livro? Ainda falta crescer tanto.
Para eu parar de sonhar com você falta o que?
- Crescer tanto.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Desabafo.

Eu sempre me prometo que vou parar de ser tão saudosista, que vou me desgarrar de Fort Myers, e passar a viver o Brasil, como tudo deve ser. E então de vez em quando eu me pego vendo as fotografias, e quando eu olho para dentro de mim, estou partida. Partida de saudades. O meu corpo fica todo arrepiado, as minhas mãos tremem... E só de pensar em tamanha alegria, a tristeza me vem.
Chego a sentir mal estar, chego a ficar com a voz embargada e quase quero chorar. Eu tento definir tudo em palavras, mas Fort Myers é impossível, aquela coisa, aquela energia, aquela vibração, é impossível.
Claro que eu melhorei muito nesses anos, mas que até eu ficar velhinha eu vou estar sempre lembrando, aaah! isso é imutável.
Queria poder viver outra experiência assim tão superior. Mas eu acho que ainda que eu tenha um lar onde eu me sinta mais ou tão em casa quanto no #1517, o contexto nunca vai conseguir ser o mesmo. Acho que eu posso até ser feliz daquele jeito, mas da porta pra dentro. Da porta pra fora sempre haverá Brasil, pai e mãe, trabalho, dinheiro, etc. Da porta pra fora sempre haverá vida real.
O que eu tenho que buscar é construir um lar onde, da porta pra dentro, seja sonho.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Brabo.

Até tenho tentado fazer uma força pra escrever... Mas é que ando cansada, de um jeito que até pra digitar dá preguiça. E ando tão a mil que a inspiração vem, mas vai na mesma velocidade. Tá brabo!

Trabalho.

Quem inventou o trabalho, por favor, vê se desinventa... Ou então vem fazer o meu!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Banho.

É essa a noite quente,
o quarto gelado,
os pêlos arrepiados,
a pele seca,
a boca seca,
a imaginação seca.

Agora eu sequei.

Melhor procurar por um banho;
que me lave a alma
e molhe meus cabelos oleosos.

E lave também meus cabelos,
e lave minha pele seca.
E lave meu esmalte descascado.

Descascou apenas a ponta de um dedo
e é como se eu estivesse com a roupa suja
ou com a calcinha furada.

Nada faz uma mulher se sentir tão mal
quanto uma calcinha furada.

Hoje.

Função, viajação, falação na cabeça... É chefe dando esporro de um lado, com o trabalho todo feito do outro; amigo reclamando de falta de atenção, mesmo depois de não medir esforços para ficar junto; cobrança pessoal para fazer nota no vestibular; aquele monte de dúvida maluca que ronda a cabeça... Mesmo assim tudo vai dentro dos conformes. Me sinto cansada, mas bem. Bastante bem...
Meus pais estão exaustos, trabalhando dia e noite, e ainda por cima perdendo a noite de sono por preocupação, e ai para fugir do que se espera de pessoas em estado de tensão, são doces e amorosos. Estão doces e amorosos. Hoje.
Hoje já é sempre um bom começo...

E.T.

Após sair da prova, carregava comigo o livro de contos da Clarisse, que continuo, vagarosamente, lendo. Como eu precisava esperar o jogo do Flamengo acabar para que o meu pai viesse me buscar, decidi sentar numa lanchonete para tomar um sorvete e sorver um pouco da rainha das letras. Assim fiz.
Como todas as pessoas ali sentadas estavam assistindo jogo, fazendo algazarra e gritando, lançei mão do melhor dos artifícios modernos, o amigo iPod.
Combinação perfeita. Livro, música, sorvete e alienação. Ou pelo menos uma alienação velada e forçada que trazia calma e paz.
Até o Flamengo fazer o segundo gol tudo ia muito bem. Um e outro grito me tiravam, vez ou outra, a atenção. No mais, parecia que Clarisse me sugava de tal forma que não havia quem me desorientasse. Ou talvez Clarisse estivesse me desorientando, e não havia quem orientasse. Tanto faz.
Acontece que o Flamengo fez o bendito gol. E putz! Que susto! Dei um salto tão grande na cadeira que todas as pessoas voltaram a atenção para mim. Até o Flamengo ficou em segundo plano.
Foi quando finalmente perceberam que alguém ali, no meio de todo aquele contexto, estava simplesmente ignorando "O jogo do século" e lendo, absorvida num mundo paralelo que a eles parecia deveras irreal.
As caretas de desaprovação me fizeram achar graça. Uma graça gostosa e sem culpa. Ri. Não ri porque achava aquela massa bestializada idiota, ri porque eles me achavam idiota. Mas ri sinceramente, de forma incontida. Ri parecendo que estava rindo de mim mesma.
Voltei à Clarisse.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Enem.

Tenho tantas coisas armazenadas desses últimos dias. Passei um tempo afastada dos benditos teclados, e também das canetas e dos papéis. Andei evitando um pouco as letras... Ou pelo menos as minhas.
Isso talvez se devesse apenas a minha falta de tempo. Provas durante o final de semana, a correria da vinda ao Rio, a cabeça a mil por hora. Talvez seja reflexo do que ouvi de um amigo, que escrevo melhor quando espero.
Não esperei de propósito. Só juntei o útil com o agradável.
Andei fazendo as provas do Enem. Já disse isso, não estou repetindo gratuitamente. Já me explico. Foram dois dias de prova, sexta e sábado. Eu já conhecia o modelo da prova, mas não tinha me atido muito a ele... Sabia que seria grande e cansativo, e ainda assim não estava preocupada. Sabia que podia tirar de letra se fizesse a prova com calma, se tivesse cheia de uma energia boa, se me concentrasse em mim, e não focasse em quaisquer dos agentes externos.
Na noite anterior chovia, o que já era um excelente começo. Dormir com chuva relaxa, acalma, traz paz. A luz do meu quarto, vermelha, embora para muitos pareça excitante, para mim é bem mais instrospectiva que qualquer outra. Eu sou muito vermelha, acho que isso faz a sintonia. Para finalizar a música era a famosa nova Ane, e o edredon estava quente, verdadeiramente quente, como há muito não sentia. Estava com saudades do edredon quente. Parece que esquenta corpo e coração.
Quando eu acordei a mesma aura doce continuava rondando o quarto. Despertei leve, preguiçosa, feliz. Esperançosa de um novo dia, de crescimento. Um banho quente, uma roupa quente, uma roupa bonita, uma maquiagem bem feita, comida para o corpo e para a alma. Tudo que é necessário para o bem-estar e a auto-estima elevada estava feito. Faltava fazer uma grande nota.
A prova não foi das melhores que fiz no ano. Foi, certamente, a pior. Mas não foi ruim. Foi uma nota média, que só vou saber julgar boa ou não quando tiver niveis de comparação estatísticos. Até lá ficam as minhas impressões impacientes acerca da tarde que, mesmo tendo tudo para ser agradável, foi ansiosa, sufocante, pressionada. Parecia que alguém estava me impedindo de ler, de raciocinar. Parecia que meus pensamentos iam sendo consumidos a cada segundo, devorados. E que tudo se perdia...
Ainda assim era preciso recuperar as energias para um segundo dia de prova. E meus amigos são, no mundo, os únicos capazes de me fazer plena em momentos como esse. Jantamos, brindamos, rimos, dançamos. Fomos felizes naquela noite. Sabia que no dia seguinte o reflexo daquela cerveja que eu não estou acostumada a beber podia fazer algum mal, mas não era bem o que preocupava.
Dormi um pouco mais inquieta que na noite anterior, o edredon não estava tão quente, e no meio da noite alguém foi ao meu quarto e desligou minha música. Achei que não tinha sido um bom presságio. Eu acordei ainda mais preguiçosa. Tive medo de me sufocar na preguiça.
Fui fazer a prova, eu estava lenta, eu estava devagar. E eu nunca estou devagar! Mas fiz toda a prova bem devagar, fui a última a sair da sala, deixando até mesmo questões por fazer. Foi uma prova muito melhor, pelo menos internamente mais bem ejambrada. O resultado não foi tão melhor como previ. Acabei acertando mais ou menos o mesmo que na tarde anterior.
Engraçado. Porque eu queria que os resultados fosses diferentes, para que eu julgasse ser o clima, a energia, a ressaca, ou o que mais importasse, ser o verdadeiro culpado pela boa nota. Mas não pude fazê-lo. As notas foram iguais, e as energias totalmente opostas. Não gostei dessa coisa... Queria ter conseguido comparar. Como resultado só entendi que fiz uma nota mediana, porque a prova exige um nivel de conhecimento mediano, e um nível de paciência de Jó.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vai Ver Que Sou Eu.

Vai ver que tenho chulé, ou que tenho mau hálito. Ou então eu sou pedante e as minhas músicas não agradam. Vai ver eu não me visto bem, ou meus amigos não são bons o bastante. Vai ver o tempo passou e você se acomodou a me ver te procurando. Vai ver eu sempre confundi as coisas e na verdade você nunca sentiu tudo aquilo. Vai ver eu menti, para mim mesma, em todas aquelas noites, em todas aquelas poesias. Vai ver a culpa de tudo isso é minha, que usei demais de fantasia. Vai ver você nunca disse que queria, e eu que entendi de outro jeito. Vai ver você não quer me ver. Vai ver você quer... Vai saber.

Bem que você podia me dizer. Verdade. Crua.
- Eu te quero, muito. Nada mais importa.
- Eu até te quero, mas não é a hora.
- Eu nunca quis. Você sempre fantasiou.
- Por que você me procura?

Não!

Ainda te amo, ainda te amo.
Não passou.

Por favor, seja mais vermelho.
Não dá para ser paixão e ser nude. Não consigo.
E olha que eu me esforço.
E olha que eu queria...

Uns Passarinho, Outros...

Estranho que logo agora não tem frio na barriga, tremedeira e nem borboleta no estômago.
Estranho...
Até antes havia, juro. Por que não há mais?
Era a parte mais gostosa.
Passa o medo quando passa a paixão?
Não quero que passe agora!
Não quero, não quero, não quero!

(Bate os pés no chão.)

- SHIT!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Fazendo o que?

(Os acentos serao devidamente acertados num segundo momento.)


Estava deitada na cama, nao conseguia dormir, nem fechar os olhos sequer. E eu tenho muito sono. Ainda nao consegui dormir tudo o que precisava. E, para piorar, tive um dia daqueles.
Se bem que foi um dia daqueles dos bons, com trabalho, sono, piadas, piscina, risadas, woody allen e musica boa.
Eu queria...

***

Enquanto eu escrevia o texto um gafanhotinho marrom sem graca e sem amor pulou no meu cabelo. Tomei um susto, tentei espantar com a mao. Nao sei como eu consegui, sei que machuquei o dedao da mao esquerda.
Doeu tanto que perdi ate o ar. Mas nao chorei...
Ha tanto tempo nao choro. Nao sei se 'e porque nao tenho porque chorar; acho que 'e porque as vezes o choro seca, e nao tem nada que possamos fazer por ele.
Prefiro continuar sem chorar. Quem merece meu choro, tem meu sorriso.

Comida.

Tenho tanto sono; me sinto tão cansada. Me sinto exausta, exaurida.
Preciso dormir porque já sei que nem mesmo as palavras me vem.
Nada me vem, exceto um respiro de morte d'alma.
Se eu não dormir não haverá poesia, não haverá sequer poeira.
Só o arroz cozinhando em fogo baixo no fogão, e o feijão descongelando.
O almoço hoje será o mais simples possível. Preciso dormir.

Salto Alto.

Não entendeu nada daquilo sobre salto alto e por isso decidiu experimentar.
Mas salto alto às nove da manhã não é demais?
Nada!

Pôs nos pés um salto tão alto que seria capaz de ficar até mesmo mais alta que ele.
Para contrastar a roupa era casual. Jeans e Preto.
Finalmente tirara os esmaltes da unha.
Até então estava com eles descascados. Tinha achado poético...
Até pelo menos às duas da manhã. Depois voltou a achar feio.
Lá pelas quatro era pura poesia de novo.
Mas também com aquela lua branca, redonda, sublime e só no céu, não era possível não haver poesia!
Agora as unhas não tinham nada. Eram curtas, cortadas rentes, sem esmalte e sem alegria.
Ainda havia poesia.

Precisava correr, trabalhar.
Claro que não iria enquanto não acabasse de dizer tudo que tinha pra dizer.

Não havia o que dizer.

Bom Só Se For Pra Você!

Eu dormi três ou quatro horas. Estou morta. Pregada. Cansada. Can-sa-da. CANSA.
Fazer amigos às cinco da manhã de uma quarta-feira, olhar a lua cheia, ouvir música boa e ver o rio correr tem um milhão de vantagens... Mas esse sono não vale tudo isso.
Mentira, vale sim, vale sim.
Adoro noites como essa. Adoro acordar cansada sabendo que estou feliz.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sede.

Queria vodka, mas eu sabia que não tinha vodka.
A garrafa de whisky era só cachaça.
Eu não tomaria whisky, queria ficar bêbada, mas não cheirando a bebida.
Tinha vinho, mas ainda não aprendi a abrir garrafas de vinho.
Tinham uns whiskys que eu não aprendi a beber ainda.
Eu já disse que não queria whisky.
Tinha vinho.
Eu também já falei isso.
Tinham outras coisas mais. Não bebo nada daquilo.
Eu queria mesmo vodka, ou tequila. Mas não tinha nem uma das duas.
Abri o congelador esperançosa por encontrar alguma vodka gelada.
Nem gelada, nem quente.
Tinha água, com gelo, na porta do freezer.
Enchi um copo, até a boca.
Bebi.

Vermelho ou Nada.

As unhas estão descascando, eu jurei que iria lavar a louça. Não quero. Não vou deixar 'Ane' aqui. Estou apaixonada...
Os cabelos estão molhados. Há três escovas de cabelo sobre a mesa. Sempre as esqueço aqui... Estava procurando mais uma. Essa semana tinham quatro escovas de cabelo na minha bolsa. Tenho um certo tesão por escovas de cabelo.
Mentira.
Nunca me masturbei pensando em escovas de cabelo. Nunca consegui escrever 'masturbei' antes. Forte isso. Liberta.
Masturbação mental.
Poderia passar toda a vida ouvindo Ane; toda a vida. Me despertou uma poesia vermelha que eu há muito não tocava. Ela diz numa das letras 'For me it is red or nothing'. Amei.
Vou tirar pelo menos o esmalte das unhas, vou lavar a louça na pia. Vou continuar dançando na frente do espelho, de lingerie preta e unhas descascadas. Depois vou tirar o esmalte. Antes quero passar batom vermelho.
Pena que meu batom vermelho foi para o lixo.
Lixo, lixo. Me lixo para o resto do universo; hoje eu quero só Ane, acetona e água, gelada, transparente, sangue.

But I'm crying a bottle of wine over you.

Se eu fizesse cinema eu certamente gostaria imensamente de filmar aquele banho, aquela dança frente ao espelho, aquele momento de catarse e absoluta plenitude e encontro interno. Acho que conheci algo como "Dido"... E, uau! Que encontro fantástico.
Como queria ter a luz e a câmera certas, e filmar aquele crescimento, toda aquela poesia.
Eu queria assistir agora mesmo um show da Ane Brun, queria fazer amor com M. ouvindo Ane Brun, queria dançar na chuva escuntando Ane Brun, queria dormir com o iPod tocando Ane Brun.

Disse o Grande Mestre Chico Uma Vez...

(...)
E atrás dessa mulher mil homens, sempre tão gentis
Por isso para o seu bem
Ou tire ela da cabeça ou mereça a moça que você tem!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cemitério.

Abriram as portas do cemitério; os mortos decidiram sair por ai.

Morto número um, o amor. Aproveitou a noite de lua cheia.
Morto número dois, o menor. Gosta mesmo da madrugada.
Morto número três, o namorado. Prefere passear nos sonhos.
Morto número quatro, o novo. Quis aproveitar a manhã para puxar os pés.

Novo dia, sol a pino, todos dormindo.

Horas.

Três da tarde. Quinze horas.
Ainda te restam 9.
Ainda me restam 9.
Estou com saudade, estou ansiosa.
Quero notícias de você.

Essencial, intrínseco, subjetivo e irremediável!

A gente faz muita confusão nessa vida. E a verdade é que grande maioria dela podia ser evitada se a gente simplesmente tentasse fugir do que do que é pré-estabelecido como certo. Seria mais fácil ser feliz se não tivesse esse monte de conceito, de norma, de lei, de certo e errado. Muitas vezes a gente deixa de procurar a felicidade porque ela parece improvável segundo as leis sociais que já estão ditadas, pelas normas conhecidas e concebidas.
Se a gente agisse menos com a razão e mais com o coração, certamente teria muito mais razão, muito mais lógica. A gente muitas vezes deixa de amar porque concebe uma idéia de amor, que não deve ser pensada de nenhuma outra maneira. E ai quando a gente se pergunta quem foi que ditou tudo isso, quem foi que disse que o amor não pode ser... Não pode ser distante, não pode ser errante, não pode ser dividido, ou não pode ser homossexual, não existe resposta. Todas essas normas e essas regras contradizem a razão, muito mais do que a afirmam.
A única razão que eu entendo é aquela que faz a gente ser feliz, logicamente sem atrapalhar a felicidade dos outros, logicamente respeitando e querendo o bem dos outros; porque também não é feliz aquele que vive na alegria, mas que só faz mal ao próximo. Não pode ser feliz quem põe a cabeça no travesseiro e pensa que foi ruim pras pessoas que estão à volta.
Não pode ser felicidade isso. Pode ser qualquer outra coisa, mas não felicidade. E a meu ver, isso se chama ignorância. O próprio usar a razão é bastante ignorante, porque você se preocupa em ser feliz seguindo paradigmas. E quando você está sendo cordato, está sendo correto, muitas vezes não está sendo verdadeiramente feliz.
O que te impede de dizer pra uma pessoa que você ama e quer ficar junto que você a ama e quer ficar junto dela? Quem falou que pra ficar junto é preciso fazer joguinho, armação, é preciso dizer não e depois ceder, é preciso transar no primeiro encontro, ou não transar, ou é preciso namorar, casar? Quem disse isso tudo? Quem escreveu que o amor só pode acontecer nos moldes conhecidos? Que só se amam aqueles que assumem o amor, ou que só se amam aqueles que têm idades parecidas, classes sociais próximas, gostos, qualidades e defeitos pares?
Quem disse que pra amar a gente tem que aprender a lidar com os defeitos? Quem disse que pra amar a gente tem que gostar de fazer amor todas as noites? Quem disse que o amor é isso? Quem disse que o amor segue padrão, que ele tem que ser delineado?
O amor é muito maior! E as pessoas só vão começar a entender, quando elas sentirem que ele é maior que o resto, quando elas perceberem que ele vai além do entendimento e do que é estabelecido. As pessoas só vão entender o que é amor quando não tiver amarra, quando não tiver preconceito, quando as expectativas não se cumprirem e mesmo assim houver amor.
É muito complexo explicar o amor, e talvez por isso criou-se esse monte de conceito. Todo poeta um dia quis explicar e embora muitos deles tenham conseguido algum avanço, eles nunca chegaram muito perto exatamente porque o amor é muito pessoal, é muito intrínseco, é muito subjetivo e é muito maior.
Talvez as pessoas aprendam a amar quando aprenderem que o amor não precisa ser aprendido, e quando finalmente as pessoas se permitam ser verdadeiramente felizes no amor.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dona Ivone.

Eu não tenho nada pra dizer, mas vai que dona Ivone tem...

"Saudade amor, que saudade,
Que me vira pelo avesso, e revira meu avesso.
Puseram uma faca no meu peito,
Mas quem disse que eu te esqueço?
Mas quem disse que eu mereço?"

Outra vez você.

Você me pede para escrever; não tenho o que escrever... Não tenho nada de belo para dizer pra você, nem nada de novo. Há uma nova de mim, a cada dia. Mesmo assim, não há nada.
Eu te amo. Disso você já sabe. Eu te faria absolutamente feliz. Disso você já sabe. Fazer amor com você é a coisa na vida que eu mais queria hoje. Talvez você ainda não soubesse disso.
Talvez você não saiba também que hoje eu te amei mais do que nunca, porque você me pediu para ver a lua. E a lua, sempre, me faz pensar em você. Me faz pensar nos teus beijos, no teu cheiro, e principalmente, a lua reflete os teus olhos, que penetram fundo nos meus olhos de girassol.
Te vejo tão perto que sinto seu cheiro de banho, de alma, de gozo, de vida. Que sinto emanar de você paixão, fogo e segredo.

Vem ficar comigo depois que a festa acabar...

Namoro marcado.

- Não, não fico perseguindo, enchendo. Sou muito tranquila. - Perfeito, então a gente pode namorar! - Mas como a gente tá longe, só ia sobrar a parte chata do namoro: saudade, ligação, perguntação. - Verdade... Mas você não vinha pra cá? - Eu até vou, mas só ano que vem. Ai a gente vê... - Beleza. - Beleza.

domingo, 29 de novembro de 2009

Cicatrizes.

Acordei e não eram ainda 5 da manhã, juntei todas as forças, boas energias, juntei toda a minha positividade e levantei. Levantei, despertei! Despertei para o novo, para o que vem; para a estrada, para a prova, pra faculdade.
O céu estava rosa, depois ele ficou laranja, depois o sol apareceu... Hoje também choveu, mas já era tarde. De manhã fez sol. Minha prova também foi solar, foi iluminada. Ela abriu mais uma porta, me fez galgar mais um passo. Nos próximos meses outros sonhos vão se realizar.
- Vamos morar juntas! Vamos sair nos fins de semana! Vamos poder ir à praia! Vamos trabalhar em altos projetos! Vamos ter um dia na semana para um drink! - Com cada amigo um plano, um sonho. Para cada sonho um passo a menos, para a minha ansiedade, crescimento. Para mim, crescimento.
E a estrada, a música, a Roberta Sá. O céu que estava lindo, e aaaaaah! Vai fazer bem, muito bem.

sábado, 28 de novembro de 2009

BFF.

"- Vai nascer uma árvore de panetone, de tanta fruta seca que eu jogo nessa grama!"

VOU ANOTAAAAAAR!! NÃO POSSO ESQUECERRRR! VOU POSTAR NO FOTOLOG!!!


***

Não dá para ser feliz sem abusar das boas lembranças, sem estar sempre perto dos verdadeiros amigos, sem sorrisos grátis, 4 da manhã, sem gargalhadas às 4 da manhã!

***

Sempre teve um azar para escolher os amores que só se justificava exatamente pelo oposto com relação aos amigos. Esses, foram todos estrategicamente 'convidados' à felicidade. Nada é mais pleno.


***

Saudade deles, saudade de ficar bêbada com coca-cola, de jantar trakinas, almoçar trakinas e tomar café da manhã de trakinas, e coca-cola. Saudade de, às 6 da manhã, ir comprar pão, não chegando da night, mas depois de uma noite intensa de buraco, gargalhada, frases eternamente engraçadas, cumplicidade. 'Thank God for the blessing'!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

post n° 100!

amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor. amor.

100 vezes, todas elas representando AMOR!

Feliz.

As pessoas na rua se perguntavam quem era aquela menina de cabelos castanhos e vestido vermelho que, às 9 da manhã, andava dançando e cantando, pela pacata cidade. Os pedreiros nas obras, as babás com as crianças, todos os que passavam; ninguém entendia uma felicidade tão repentina, tão temprana, tão mundana e ainda assim tão sonhadora.
Ela, tampouco, entendia da ontem vinha tanta alegria. Não era por nada em especial, era especialmente por tudo. Especialmente por reconhecer que um dia de sol, daqueles em que há brilho, luz e vida, daqueles em que todas as melhores energias emanam da terra, hão de ser comemorados, hão de ser celebrados!
Quando um ser HUMANO passa a buscar compreender a vida, amplamente, o sentido dela, a força, os caminhos, os rumos, os sentimentos... Quando, por menor que seja, haja crescimento, interno, pessoal, forte; a primeira das desvantagens é passar a enxergar criticamente o mundo que cerca, e passar a ver beleza no que é mais superior e elevado, e perder um pouco o gosto pelo que é tocável, real.
Ela queria, sim, se elevar, crescer, aprender, apreender, queria sempre mais, muito mais. Mas também não queria deixar de sentir prazer no vento quente, no sol latente, na música. Não queria deixar de aproveitar o sentimento de felicidade e plenitude que tocava um momento como aquele.
Felicidade, definitivamente, era esse o termo certo. Feliz. Muito.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sofá.

Preciso trabalhar, mas estou com vontade de assistir um filme, e só.
Queria mesmo ver Vicky Cristina Barcelona.
Acho que é o momento banho, coca-cola, sofá e Woody Allen.
Apaixonante.
Propício.
Alguém se habilita?
Não valeu.

Pedro.

Entre os diversos tipos de amigos, um dos mais importantes é aquele que cegamente aposta.
Meu grande amigo, que sempre apostou em mim, que sempre fez mais que acreditar, me levou a caminhos que eu nunca tinha andado, me levou a paixões que eu nunca tinha sentido, e me fez conhecer muito mais de mim do que jamais pensei ser possível.
A visão estética, a visão literária, e outras tantas visões, tudo isso foi modificado, por mérito meu, mas por mérito também dele. Que investiu, sem medos, gratuitamente, sem pedir nada em troca.

Otenos.

Horácio anda triste.
Não sei se é porque está velho,
acho que é porque anda trancado.

Mas Horácio não sabe se comportar,
por isso fica de castigo.
Se não, mete os pés pelas mãos.

Horácio parece estar adoecendo,
não física, mas moralmente.
Parece que ele se cansou de ser feliz,
parece que ele já quer despedir.

E ele não tem idade para isso.
Mas, também, quem é que tem?
Nunca tem idade para despedidas,
não existe a hora certa de deixar ninguém.

Prêmio Shell.

Ney ganhou o prêmio Shell de música. Pelo conjunto da obra.
Alguém teria a audácia de discordar?
É, sem dúvida, sem apelo, sem paixão (ainda que sem paixão tenha um quê de irreal) o melhor intérprete que nossa música conhece.
Não é compositor, e dedica sua arte a se fazer entender ao representar, ao apresentar, ao interpretar. E tanto se dedicou a fazer dessa arte o magnífico, que alcançou a perfeição. Justamente porque transmite tudo, e ao mesmo tempo deixa tudo subentendido.

Mais que merecido, Ney...

Avessas.

Bom dia. Bom? 11 da manhã. É cedo. Porque marcar esse almoço para tão cedo? O que há pra se falar de tão importante? E ainda é preciso escrever. Tomar um banho.

***

"4 da manhã, dor no apogeu; a lua já se escondeu..."
sempre tão previsíveis os homens. 4 da manhã. quem desdenha, quer comprar.

***

8 da noite. Melhores amigas. Japonês. "Só vim dar um beijinho!". CINCO? hahaha. - Luisa, aiaiaia. - Risada. Fofoca. Amor. Imenso, eterno, incontável.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Shuffle.

Tá Bom - Los Hermanos
"E ai não há sequer um par pra dividir..."; me sinto tão só.

Samba Social Clube - Arlindo Cruz, Cazuarina, Marcelo Nogueira
"...o canto que faz nossa música mais popular..."; tenho os melhores pais do mundo, que me acompanham em todo e qualquer programa. Até num show de samba, na lapa, terça-feira, pra ficar de pé, perrengue, e ainda rindo, sambando e curtindo.

Larga Isso de Mão - Chapéu Panamá
"amigo, ela já me teve por inteiro. pois agora só vai ter a palma da minha mão..."; gosto tanto de viajar de noite, de olhar as estrelas pela janela do ônibus. gosto de ter meu iPod por perto, só pra me dar um prazer ímpar, de estar só, só comigo.

Oh! Darling - versão Marjorie Estiano
"believe me when i tell you..."; não importa o que for, faça-me o favor. não duvide, não ponha em cheque, não deixe em momento algum de crer, seja o que for que eu disser.


(...)

***

Nunca fiz um shuffle virtual. Nossa. Não soou tão bem quanto no papel, no meio da madrugada, com o iPod longe, sem poder passar música. Não valeu... Mas já escrevi, agora vou publicar. Ninguém lê mesmo.

Chutando o balde.

Um colega veio dizer que hoje foi o último dia na faculdade. Definitivamente não bateu dor e nem saudade. Saudade, inclusive, é a última coisa que poderia bater nesse momento. E até mesmo arrependimento, frio na barriga ou medo... Nada disso veio visitar, tampouco.
No máximo um nozinho na garganta, nada que me faria repensar. Por nada no mundo eu voltaria atrás. Nunca mais ter pisado naquele lugar foi o maior peso que tirei das costas em toda a vida.

Pressentimento.

"Ai! Mas quem virá? Me pergunto a toda hora... E a resposta é o silêncio que atravessa a madrugada. Vem, meu novo amor. Vou deixar a casa aberta!"

***

Calor, lingerie branca, unhas pretas (nos pés, vermelhas), cabelos presos e ar condicionado. Escuridão, computador, agenda, celular, iPod, doc, Marcelo Camelo. Outro banho. Quatro? Calor... Pérolas falsas, brincos pretos, sorriso branco. Olheira. Muita olheira. Outro banho (daqui a 5 minutinhos)! Copo de coca-cola vazia. Desejo de coca-cola fazendo cosquinha no cérebro. Saudade, suor, Anna, 1517... Tanto tempo que não batia esse vazio - sei lá.

***

Preocupação. Matérias, tantas, letras, linhas, laudas. Preguiça. Duas já foram - Me faltam duas mais. - Entrevistados. Yuch!

Ufa!

Depois de passar algumas boas horas transcrevendo tudo o que eu pus no papel ontem a noite, acho que exauri toda a minha criatividade.
Verdade que essa música não é muito inspiradora e que os papos furados do msn também não ajudam... Verdade que só de saber que preciso escrever já começo a ficar paranóica e preguiçosa e oca... Verdade que escrever me dá prazer absoluto, mas que o trabalho me dá vontade de cortar os pulsos.
Acho que vou tomar um banho beem demorado, bem gostoso, aumentar a música (que acabei de mudar e escolher uma bem bacana), comer alguma besteira, me perfumar, por uma lingerie bem linda, e sentar para trabalhar. Ou tentar...

Para M.,

Não prentendo mais enviar e-mails que sei que não terão resposta ou fazer telefonemas que sei que não serão atendidos ou ainda devotar amor a quem ainda não está pronto para amar.

Tudo bem pra mim se você decidiu fingir que eu não existo mais. Não tem problema se não quer mais falar comigo ou sequer me responder.

Tudo bem se dessa vez você realmente me deixar; já tenho o melhor que vcê tinha a oferecer. Esgotaram-se as suas possibilidades. Ficou o mais bonito: a poesia.

Elisa Lucinda.

Grande mulher é essa Elisa Lucinda. Tão pouco foi o nosso contato, tão pouco sobre mim ela sabe, mas deixou para mim uma dedicatória que apenas quem compreende o outro com tanta verdade e clareza seria capaz de deixar.
E ainda mais que isso, apenas uma mulher tão a frente do seu tempo me diria algo tão simples e sublime, e ao mesmo tempo tão necessário e único como "Escrever esclarece". Escrever, de fato, me torna alguém nova a cada dia. Me conheço e me descubro outra todos os dias.
Obrigada Elisa. Agora finalmente acho que posso ir dormir, falta-me o sono apenas...

Identidade.

Os grandes mestres têm sempre algo a ensinar, e têm conosco sempre alguma peculiaridade em comum que nos faz devotar nosso tempo, nossa leitura e até mesmo nossos sonhos de futuro.
Clarisse Lispector teve sempre algo para dizer para mim. Não importa em que situação eu a leia, sempre temos alguma coisa em comum. Na grande maioria das vezes semelhanças nos atormentam e atraem.
Eu estava lendo seu livro de crônicas agora, porque o tempo não passa, e a noite não corre e o sono não chega. Adivinham como se chamava o texto? "Insônia infeliz e feliz". Incrível? Talvez não tanto quanto os dois textos adjacentes. Um que fala de um calor que consome e corrói, absolutamente como sinto agora; e um terceiro, um tradução de Burt sobre o realismo da arte, compartilhando comigo a idéia que acabei de escrever acerca da arte que não é absolutamente real...

Hoje cedo terminei de ler o novo livro do Geneton, que é um jornalista com quem muito me identifico, sobre o Fernando Gabeira.
Gabeira dizia que acha que todo estudante de jornalismo deve ler "O Velho e o Mar", do Heminguay, e "O Estrangeiro", do Camus. Incrivelmente são dois dos meus livros favoritos. Momentaneamente sofri uma identificação com o jornalista/político, que nos tornou próximos.
Outra coincidência desse livro foi a entrevista que li mais cedo na revista de Domingo, com o atual diretor do Jardim Botânico, de quem não me lembro o nome, que, em troca do embaixador alemão, o mesmo responsável pela soltura e pelo exílio de Gabeira, foi solto e exilado na época da ditadura no Brasil.
As coincidências com Geneton não param por ai! Este livro "Dossiê Gabeira" é muito novo, e eu nunca tinha nem ouvido falar dele. Foi presente de um grande amigo, dado numa fase em que eu, mais assiduamente, lia o jornalista e seu blog na Globo.com.

Elisa Lucinda é uma da poetisas mais reconhecidas do nosso tempo, e encontrei nela uma semelhança e uma verdade que tive com poucas pessoas na vida, fossem elas amigos, transeuntes ou artistas. Duvido que ela pudesse apenas atuar em"Parem de Falar Mal da Rotina". Aquele texto não parecia feito para mim, mas sinto como se fosse feito por mim, salvo, obviamente, a minha incapacidade de fazê-lo e a genialidade de Elisa, obviamente.

Até Vinicius de Moraes, Oscar Wilde e Gabriel Garcia Marques são autores com quem em muitos momentos me encontro. É absolutamente essa identificação que nos torna tão entusiastas de uma causa, tão apaixonados por uma obra ou tão devotos de um autor, diretor ou músico.
Porque sim, ainda nem falei dos filmes e das músicas... Imaginem só?! Se alguns livros que li nas últimas semanas e algumas horas de insõnia me causaram tamanho alvoroço, o que falar das músicas que tem tanto de mim?
Acho melhor deixar essa conversa para uma outra ocasião...

Os Meus Adjetivos.

Venho me esforçando para dormir, mas pior que o calor que faz aqui são as mãos atadas do quarto escuro e o silêncio que não quero e nem consigo fazer...
Hoje foi um dia bastante escrito, como eu talvez gostaria de defini-lo. Penso em como preciso aprender novos adjetivos. Gosto, sem dúvidas, mais deles do que de quaisquer outras classes de palavras.
Gosto ainda mais dos novos, dos inventados, dos erroneamente empregado por falta de algo mais condizente... Gosto de adjetivos ácidos, vermelhos, reais e doces. Gosto também dos pobres, sobretudo os pobres recheados de significação. Gosto, mais que tudo no mundo, de adjetivos desconcentrados que descrevem com brevidade e perfeição o sentimento ou a sensação real. Acho que se eu exercitar com muito capricho e cautela talvez um dia saiba adjetivar com clareza...
Deve ser por isso que não posso ser jornalista! Preciso ser ilimitada, adjetivista. Não sei ser discritiva sem ser sonhadora. Não ser fazer como Heminguay, porque não consigo dissociar real e sonho quando escrevo. Tampouco sei ser concisa com Camus. Embora muitas vezes eu use períodos curtos e bem pontuados, e isso seja um pouco de herança do autor brilhante, não posso apenas ser fria e não sonhar. Não sei dizer "Hoje mamãe morreu".
Eu nunca seria uma grande jornalista, porque não sei viver sem o sonho, e infelizmente só aprendi ainda a fazer o belo com o sonho.
O que não quer dizer que eu seja uma pessimista e não ame o real, até porque eu vejo muita poesia no concreto, mas preciso mais que tudo de fantasia.
Fantasia e sonho são talvez dois dos substantivos que mais são meus. Mesmo toda a irrealidade deles a mim é muito verdadeira, muito crua, e muito cheia de significação.

Carta para Barbara.

Ele, na verdade, muito a ama.
Mesmo quando evita seu nome
ou diz que você é infantil.
Mesmo que diz que você é fútil...

No fundo, ele depende das suas crises
Ele gosta do seu choro
E do seu jeito de ser fraca
E implorar amor.

Ele ama que você tenha defeitos lógicos
Para apontar de forma clara
É muito cômodo reclamar de alguém real
E você é real, e é presente.

Ele jamais a deixaria
Fosse por aventura, fosse por amor
Porque é fraco demais
Seja para se permitir, seja para te deixar.

Ele precisa dessa verdade difícil
Ele não tem coragem, tem medo do sonho
Você é tudo que ele pode querer
É tudo o que ele pode suportar.

Todas as vezes que ele me evita
E todas as outras que cede
São por causa de você
Por preguiça de te ter, e por medo de perder.

Toda a dependência que você representa
É compreensível porque ele não pode,
Simplesmente não sabe, ser feliz no sonho
Ele, na verdade, muito a ama.

Apartamento.

Embora esse não seja o momento ideal para me desconcentrar, sobretudo porque é semana de vestibular e o Brandão é realmente um bom professor, não consigo disprender meus pensamentos, que estão absolutamente longe, embora para mim estejam tão perto.
Sempre deixo bem claro o prazer que sinto em Dido, banho, caipirinha de morango, jogo de buraco e risadas. Mas se há algo no mundo que tornaria isso tudo muito, mas muito melhor, isso seria morar com a Carol!
Seria mais que incrível, seria a definição perfeita de felicidade, cumplicidade e bem viver. As alegrias que tomariam nossa casa teriam um gosto doce, confuso, introspectivo e vermelho!
É que a Carol é a pessoa no mundo que mais se parece comigo e que sem dúvida dividiria comigo absoutamente tudo, em perfeita sintonia.
Sejam coisas boas, ruins, felizes, extremamente íntimas ou particulares, tudo entre nós se divide. E ainda mais que isso... Tudo entre nós é cumplicidade.
Fico imaginando a nossa casa, a música ligada, uma garrafa de vodka na lixeira da cozinha, as risadas, nós duas sentadas sós... Teríamos aproveitado muito mais que em qualquer festa. E os banhos longos, as conversas no banheiro, a cozinha, os jantares, todos os potes de delivery na geladeira, a eterna preguiça...
E a decoração! As fotografias, os scrapbookings, os amigos pelas paredes! Os computadores e sempre a Dido.... A Dido seria a maior forma de representear o nosso lar, bem como a nós mesmas.
E quando decidíssemos festejar tudo começaria em casa, só por nos arrumarmos e conversarmos e brincarmos e rirmos. Meu Deus! mais do que nunca desejo isso. Seria a perfeita expressão de ser feliz em último nível!
Em casa teríamos tantos livros, e tapetes, almofadas, cortinas, fotografias e bagunça. E a arrumação seria também um programa. Tudo seria absolutamente perfeito, porque é a forma como sermpre vimos a vida. Essa forma leve de viver, essa energia boa, essa alegria doce; tudo de melhor emanaria dessa lugar chamado lar... E os amigos visitariam, teríamos brincadeiras de mímica e jogos de baralho até os vizinhos reclamarem, e pintaríamos a parede de vermelho, e nós mesmas faríamos isso. E faríamos arte, sonhos. Pintaríamos sonhos, viveríamos no sonho. Seria, e SERÁ, a mais fantástica das experiências das nossas vidas!
Será mais que fantástico, mais que feliz, mais que pleno. Será algo que ainda não inventaram nome que explique...

Questionário de Hotel.

De tempos em tempos estou lendo entrevistas em que as pessoas falam sobre o que escrevem na opção 'profissão' quando chegam a um hotel.
Muito artista gosta de fazer graça com isso e escreve coisas sugestivas. Hoje mesmo eu estava lendo entrevista do Ceylão, da revista de domingo do Globo. Este, se intitula humorista.
Embora eu ache bem pedante e batido esse papo, me remeteu a uma dúvida absurda sobre mim mesma.
Não sou lá o que se pode chamar de frequentadora assídua de hotéis, e para ser bem sincera nem me lembro há quanto tempo não me hospedo em algum. Como até hoje sempre que preciso preencher profissão em qualquer questionário uso o bom e velho 'estudante', nunca me ative muito a isto...
Dessa vez fiquei pensando o que gostaria mesmo de escrever numa lacuna dessas: Jornalista, produtora cultural, historiadora de arte, museóloga, professora, atriz, escritora, sonhadora, ou todas as anteriores? (E outras tantas, diga-se de passagem...)
Porque pra mim é tão difícil escolher que profissão seguir? Aos outros parece tão natural, tão cíclico. Após sair do colégio todos os meus amigos já sabiam o que queriam para toda a vida. Conhecem bem a eles próprios e podem cursar algo que vale para toda a vida.
Mas eu não... Eu jamais saberei o que dizer quando perguntarem "Profissão?", ainda que eu esteja trabalhando, ainda que esteja realizada.
Até acho que a ocupação muito em breve eu definirei, mas profissão... ah! Isso ainda demora...

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Cansaço.

Quando o corpo não aguenta e antes de dormir chora, é sinal de que a estafa é maior que a capacidade de aguentar, que todos os limites do próprio corpo foram ultrapassados e que nem o sonho é tão importante como só deixar as lágrimas descendo indiscriminadamente até o corpo, sem pensar ou responder, cair profundamente no mais pesado dos sonos.
E é um choro verdadeiro, da alma. Sem motivo, sem explicação, sem amor. Mais que isso ainda, é um choro de desamor, de abuso, de excesso. É um choro com todas as vísceras, toda a pele e o fundo dos olhos. Mas, definitivamente, não é um choro do coração.
E o sono vem forte, custoso, desajeitado; mas verdadeiro, exaurido, esgotado. É um sono de recompensa, de descompasso. Nele não há sonho, não há desejo, não há lembrança.
Sobra apenas o sonho de renascimento, de um acordar renovado, de uma outra pessoa. Sem dor, sem fadiga; alguém novo, de novo.
Nada mais consome nesse novo dia. É um dia introspectivo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Tédio

O tédio é o rei das antíteses.
É um cansar de ficar parado,
um estado inebriantemente sobrio,
um enjoo de estômago vazio.

Não há televisão, computador ou música que faça passar;
não tem pipoca, água gelada ou brigadeiro que sacie;
o relógio enagana e anda para trás,
a vida prega peça e o tempo passa as avessas.

E o criativo foge,
a literatura não chama
e nenhuma letra atrai.

Só passa quando algo surpreendente acontece
como quando um amigo liga
e diz que vem com cerveja e saudades.

sábado, 14 de novembro de 2009

T-U-D-O-I-G-U-A-L-2-!

Fazer o que se eles são todos iguais, mas quando querem são tão fofinhos, e tão carinhosos, e têm um jeito tão doce de dizer que estão com saudade?!
E têm um jeitinho tão bonitinho de mentir para a gente, e inventar desculpas torpes sobre porque sumiram, que a gente gosta de fingir que acredita, acalantar e dizer que estava morrendo de saudades, mesmo quando já nem lembrava que a criatura existia!

Domingo.

Hoje é sábado, mas tá com tanta cara de domingo...

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

T-U-D-O-I-G-U-A-L!

(em homenagem à minha amiga L.)

Homem é TUDOIGUAL! Muda endereço, telefone, CPF e time. Isso quando muda time... No mais, têm o péssimo hábito de achar que vão agir com descaso e que quando procurarem, vamos responder lépidas; que têm o direito de não atender o telefone, mas que jamais podemos deixar uma ligação sem resposta; que podem sumir três meses e mandar uma mensagem despretenciosa às 11 da manhã, e que a resposta será doce e gentil. Ahá.
EM OUTRA FREGUESIA!
Uma coisa são aqueles que achamos que valem a pena... Mas carinhas desimportantes, amores de final de semana, peguetes do passado, amigos que beijamos, ou demais 'des'afetos... NO WAY, baby.


Pioooor do que homem que acha isso tudo, é MOLEQUE que acha isso tudo. Ai, vai...

(M., antes que você cogite essa possibilidade, isto não é pra você.)

Mormaço Que Entontece.

As unhas verdejantes digitam trepidamente num teclado renitente linhas tortas, alérgicas, fungadas, ressaquiadas e cheias de calor. A atmosfera circundante é basicamente quente. Deveras quente e abafada e mormacenta. O ar entra quente no corpo quente. A mistura ácida dessas frentes causa chuva nos olhos e calor do lado esquerdo do peito. Amor, amor, amor... Não é possivel amar nesse calor! Não é possível amar na solidão, e nem tampouco no descaso. Não dá pra amar sem atender, sem responder, sem doer. Não dá pra amar doendo. Não dá pra amar doente. Amor doente, amor doentio, amor passante. Parece que de uma vez por todas passaram todas as paixões eternas e as paixões efêmeras. Sem dor, sem doença, sem ódio, sem ócio. Passou.

Almoço.

- Oi Lu. To ligando pro seu celular e você não atende...
- É que tá no silencioso dentro da bolsa, pai...
- Você tá em casa? Ah, claro... Se eu liguei pra casa!
- Mas fala...
- Sua mãe, tirou uns camarões do freezer. Tem que descascar para fazer panqueca de camarão com requeijão.
- Ah, tá. Pode deixar.
- E ai tem que fazer as folhas de panqueca. Depois quando eu chegar ai eu monto.
- E tem que fazer arroz? Bom, deixa que eu vejo e se tiver eu faço...
- Isso.
- Então é panqueca, arroz, folha e só?
- Eu posso levar uma batata. Ahh! Tem batata palha ai...
- Ah, pai! Isso não combina com batata palha!
- Combina com que?
- Com uma batatinha sauté!
- Então tá, eu levo a batatinha que combina.
- Beijo.
- Beijo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Uniban.

Essa história já é velha, mas não cansa de dar pano para a manga. Eu tenho evitado falar de temas "de jornal" no blog, mas já que falei hoje do apagão e do filme do chacrinha, mal não vai fazer falar também dessa história que está entalada aqui.
Cada um tem uma justificativa para todo aquele rebuliço. Pra mim é bastante óbvio. Cada vez mais a permissividade entre os jovens vem fazendo com que se percam completamente os limites.
A culpa daquela bagunça toda não foi da Geyse, nem do vestido rosa, não foi dos alunos, nem da pessoa que começou aquilo tudo, ou da faculdade.
Podia ter acontecido comigo, com você, com qualquer outro, fosse o motivo que fosse. A roupa, a cor do cabelo ou uma individualidade qualquer. Aquilo tudo foi só reflexo de uma reação em cadeia completamente desenfreada.
Pobre da garota que passou por aquilo, mas que agora vai aproveitar os 15 minutos de fama e aparecer na Luciana Gimenez e posar pra playboy, segundo li hoje na internet. Bom vermos que existem estudantes que se mobilizam contra, como os da UnB que fizeram passeata contra o machismo mais cedo.
A mim, choca mesmo, é como isso é perfeitamente possível de acontecer quantas vezes sejam, e tomar vultos grandes tanto quanto este. O bulling não é nem o mais problemático de tudo, difícil é alcançar que pelo furor da ocasião todo mundo foi entrando no clima da confusão e quando tudo teve um desfecho, ainda chegaram ao absurdo de culpar a estudante, alcançando o ápice da falta de noção, respeito, ou seja lá o que for, expulsando a garota da faculdade.
Claro que a onda de protesto que veio em seguida serviu para a Universidade colocar a violinha no saco, se desculpar e readmitir Geyse. Mas é completamente inadmissível uma instituição de ensino ser tão repressiva, machista, baixa e desrespeitosa.
É porque eu, infelizmente, não estou numa Universidade hoje. Sem dúvida, se estivesse, escolheria os vestidos mais curtos e os saltos mais altos para ia à aula. Não que eu ache de bom tom, mas porque a liberdade de escolha não compete à instituição ou as demais alunos.
Tudo o que nos assiste enquanto vestimenta, comportamento, ou qualquer assunto que influa na vida social, pode andar dentro de limiares pré comcebidos, mas não pode jamais ser regido exclusivamente por eles, deixando gostos e características peculiares em segundo plano.


Foi só um desabafo.

Chacrinha e Clarisse

Ainda não assisti ao filme do Chacrinha. Mas como nenhum desses filmes costuma falar mal do personagem principal já posso, mais ou menos, esperar pelo que vou assistir. Vários depoimentos de gente que gostava dele, uns e outros inimigos, e uma conclusão brilhante de que ele era um grande gênio popular que arrastava multidões para sua platéia, fazendo toda a massa dar risada. Lindo! Super convincente e romântico. Um prato cheio para dizer que o cinema nacional vai de vento em popa, e pra creditar maravilhas a todos que participaram do projeto.
Sei que quando vir, vou me emocionar, possivelmente derramar lágrimas de manteiga derretida, e se bobear desejar intimamente ter vivido aquela época. Sou tão saudosista que sinto falta de coisas antigas só porque são antigas, não porque são boas... É bem possível que eu saia do cinema querendo voltar pro tempo do troféu abacaxi.
Como em Itaperuna estamos, mais uma vez, sem cinema, espero ansiosamente o dia de ir a outra cidade ver o filme. Enquanto isso, me cabem os trailers do youtube e as matérias, de alguns jornalistas, que estão na internet.


Estou lendo "A Descoberta do Mundo", de Clarisse Lispector, como já mencionei. É um livro de crônicas, todas elas publicadas semanalmente no JB, de 67 a 73. Coincidentemente agora há pouco lia uma pequena crônica que ela escreveu em 7 de outubro de 67, que se chama (adivinhem!) "Chacrinha?!".
Ela praticamente execra o apresentador. Vou copiar a crônica aqui:

Chacrinha?!, de Clarisse Lispector

"De tanto falarem em Chacrinha, liguei a televisão para seu programa que me pareceu durar mais que uma hora.

E fiquei pasma. Dizem-me que esse programa é atualmente o mais popular. Mas como? O homem tem qualquer coisa de doido, e estou usando a palavra doido no seu verdadeiro sentido. O auditório também cheio. É um programa de calouros, pelo menos o que eu vi. Ocupa a chamada hora nobre da televisão. O homem se veste com roupas loucas, o calouro apresenta o seu número e, se não agrada, a buzina do Chacrinha funciona, despedindo-o. Além do mais, Chacrinha tem algo de sádico: sente-se o prazer que tem em usar a buzina. E suas gracinhas se repetem a todo o instante — falta-lhe imaginação ou ele é obcecado.

E os calouros? Como é deprimente. São de todas as idades. E em todas as idades vê-se a ânsia de aparecer, de se mostrar, de se tornar famoso, mesmo à custa do ridículo ou da humilhação. Vêm velhos até de setenta anos. Com exceções, os calouros são de origem humilde, têm ar de subnutridos. E o auditório aplaude. Há prêmios em dinheiro para os que acertarem através de cartas o número de buzinadas que Chacrinha dará; pelo menos foi assim no programa que vi. Será pela possibilidade da sorte de ganhar dinheiro, como em loteria, que o programa tem tal popularidade? Ou será por pobreza de espírito de nosso povo? Ou será que os telespectadores têm em si um pouco de sadismo que se compraz no sadismo de Chacrinha?

Não entendo. Nossa televisão, com exceções, é pobre, além de superlotada de anúncios. Mas Chacrinha foi demais. Simplesmente não entendi o fenômeno. E fiquei triste, decepcionada: eu quereria um povo mais exigente."


Depois de ler a crônica acho que dá até preguiça de ver o filme. Talvez porque eu de fato seja apaixonada por Clarisse, e eu vou achar a definição dela muito mais competente do que a do diretor que filmou Chacrinha. Mesmo que não seja... É paixão, e com paixão a gente não discute.

Independente de qual seja a posição dela com relação ao Chacrinha, e embora muitos discordem, sem dúvida alguma se há uma opinião que partilhamos com total verdade é, sem sombra de dúvidas, querer um povo mais exigente.

Apagão II

Ninguém tinha muita noção das proporções que o apagão tinha tomado. Incomunicáveis, sem televisão, computador ou telefones sem fio, ficava difícil alcançar que o problema era bem maior e que quase o país todo tinha parado.
Enquanto ninguém tinha ligado para o celular com essa notícia desesperadora a noite estava tranquila e agradável. Embora fizesse calor, as janelas abertas faziam o ar circular, o que, em partes, resolvia o problema.
Então a família se sentou junta para conversar sobre as obras do restaurante, os últimos detalhes de decoração, as cores e os acertos finais. Foi um começo de noite tranquila.
Embora não houvesse música, os sons que vinham da rua soavam muito musicais, o que é uma das maiores vantagens de viver tão longe de civilização (ou, pelo menos, de viver perto de uma fazenda).
Grilos, cigarras, sapos. Todos cantavam uma melodia ensaiada e bastante harmônica, enquanto a voz doce da mãe, contrastada com a áspera rouquidão da voz do pai, acalmavam os corações de filhos tão devotos.
Após horas de conversas gostosas era hora de se recolher. Antes de dormir, era preciso ler um pouco. Clarisse Lispector não pode esperar. A ansiedade corriqueira não permitiria. Num malabarismo ensaiado pousava a vela sobre o corpo e ascendia o livro numa posição que houvesse luz, mas longe do fogo.
Depois de acabar com as únicas duas velas que encotrara, era hora de dormir. Ai começou o problema de estar longe de tudo. O alarme não liga se não tem energia elétrica, e ai vem a preocupação...
Nessa hora o calor começa a ser problema sério. Os latidos dos cães irritam, qualquer som desconcentra, dá medo. Levanta, deita, bebe água, caminha, procura velas, pega lanterna... Noite sem fim!

Futuros Amantes

Leo Gandelman virá a Itaperuna nessa semana. E ela decidiu ouvi-lo para ir aproveitando desde então a maravilha do som do saxofonista, que é por tantos mestres considerado um dos melhores que temos.
O novo trabalho do artista é um DVD, que se chama "Sabe Você". É tão brilhante, que junto ao sax de Léo cantam Luiz Melodia, Ney Matogrosso, Chico Buarque, Leila Pinheiro, Caetano Veloso, Milton Nascimento e outros tantos deuses da nossa música.
O som que ela ouve é Futuros Amantes, que vem direto do myspace do Leo, com voz de Chico.
"Não se afobe não que nada é pra já. O amor não tem pressa, ele pode esperar, em silêncio..."
Meia verdade. Sem pressa ela pode pelo amor esperar. Mas jamais quieta. Precisa dizer isso a ele. É importante que ele saiba que em cada segundo pensa nele, e que perde o sono, e que respira ofegante, e que o ama, mais do que nunca.

Apagão

Talvez eu devesse apenas fechar o livro e dormir. Mas toda a calmaria me inquieta. Ouvir o coachar dos sapos, os sons da cidade dormindo e o barulho do vento no fogo da vela me deixam deveras poética e imaginativa.
Embora hoje ele não tenha deixado o telefone ligado e eu não tenha conseguido ouvir sua doce voz rouca, eu sei que quando decidir dormir será seu corpo que vou sentir junto ao meu.
Em meus sonhos irei beijá-lo e ele retribuirá com mais amor que jamais pensou nutrir por outrem. Um dia, verdadeiramente, ele o fará.
A cidade silenciosa ouve apenas os latidos dos cães inquietos e o vento dançante que entra pelas janelas.
As outras moças, menos inquietas e mais despreocupadas, dormem o sono dos justos e sonham com seus amados. Os rapazes sós pensam coisas de rapazes que eu jamais serei capaz de alcançar ou entender.
E o meu rapaz está no escuro, daquela cidade grande, e muito me preocupa.
Hoje vem o caos, amanhã ele se instaura. Nem mesmo Saramago compreendeu tão bem o pânico generalizado que vai se instaurar por aqui.
Eu, de minha parte, não me importo. Vou seguir lendo Clarisse, ainda que a luz de velas, e fazendo poesia. Queria apenas notícias do meu belo rapaz...

sábado, 7 de novembro de 2009

Os outros

Interessantes
Apaixonantes
Apaixonados
Fustigantes
Acelerados
Inebriantes
Comuns
Cansativos
Irritantes
Desapaixonantes
Efêmeros

Simples.

Simples como uma manhã de sol
é a felicidade estampada em mim.
Pela quantidade de amor que guardo
e pela quantidade que compartilho.



Simples é ser feliz na vida, é ser amigo, é ser do bem! É simples fugir de confusão, é simples correr atrás, é simples ouvir música boa e dançar como se ninguém estivesse vendo. Simples é reconhecer que alguém precisa de você, e que em alguns momentos sua presença não é bem vinda. Simples é amar, fazer amor, rir, gargalhar, escutar, dividir... Simples é buscar a felicidade, tentando nunca fazer mal a ninguém!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dance me to the end

Era sexta-feira e ela tinha colocado o telefone para despertar cedo. Queria acordar para aproveitar o dia de estudo. Desde a manhã anterior quando tomou a importante decisão de deixar um pouco as letras, as conversas e os e-mails, sabia que o que precisava fazer era se amar mais, para pensar no futuro com mais propriedade.
Na quinta ela deixara pequenos vícios de lado. Não abriria mão de outros, mas aqueles que nada acrescentavam, deixou-os ir. Depois tomou um banho gelado. Pôs a Dido tocando, bem alto, beeeem alto, e entrou no box, com o chuveiro na função verão, para sentir a água tão gelada, que cada célula do corpo se refrescou. Lavou os cabelos enquanto dançava e cantava. Saiu do chuveiro e vestiu uma lingerie tão bonita, que combinavam com a cor das unhas. Nem precisava de roupa...
Penteou os cabelos, passou hidratante em todo o corpo. Sentiu a delícia de cada uma daquelas sensações. Lavou a alma!
Foi à cozinha, fez um balde de pipoca e buscou uma garrafa de coca-cola bem gelada. Se pôs a estudar. Horas. Não viu o tempo passar. Aprendeu. Mais que história... Aprendeu a sentir tanto bem estar quanto possível.
Depois, assistiu a aula com paixão. Escreveu com paixão, anotou com paixão... Saiu com as amigas e riu com muita paixão, tomou a vodka com morango com paixão, comeu com paixão, caminhou até o carro com paixão, chegou em casa e atendeu o telefonema da vó com paixão, jogou baralho com a amiga com paixão, e dançou sob a lua, com muita, muita paixão...
Não tinha música ali, mas se tivesse, certamente estariam cantando "Dance me to the end of love"...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

sábado, 31 de outubro de 2009

Transformando Efêmero em Eterno

Outro dia escrevi uma matéria de que gostei muito. Passei um bom tempo organizando as perguntas; outro tanto a escrevendo. Quando terminei o trabalho, estava orgulhosa de mim mesma.
Nós, seres humanos normais, cheios de defeitos, pretensiosos e egocêntricos tendemos a valorizar as coisas que fazemos com carinho, sem humanizar o trabalho.
Quando estava contando a um amigo, envaidecida, que estava feliz com meu próprio trabalho, ele começou a fazer perguntas acerca da entrevista e do entrevistado.
Eu, quase automaticamente ia respondendo-as todas. Estava mesmo segura e preparada! O trabalho só podia ficar bom, já que tudo que era preciso perguntar de fato o fora.
Mas nem tudo são flores. No auge da minha felicidade meu amigo perguntou – Ele é feliz? Por quê? – Choque. Total. A pergunta mais importante, a mais forte, a que faria a diferença entre um grande texto e um mediano estava ali. E eu não a tinha feito.
E pior ainda que isso: Eu não sabia a resposta! Sabia que ele é um homem solitário e que isso o incomodava, mas sabia também que é de hábitos simples e sente prazer no trabalho.
Acho que sim, que é um homem feliz, mas não posso afirmar. São conclusões tolas de uma jornalista que conviveu com o entrevistado por poucas horas.
Como conseqüência disso, pensei em passar a perguntar a todos no início de qualquer entrevista – Você é feliz? Por quê? – Depois de muito pensar, comecei a tentar me colocar na posição do entrevistado. O que eu responderia?
Obviamente eu diria que sou feliz, muito feliz. Mas o porquê seria um problema de difícil solução. Acho que de imediato pensamos em tudo aquilo que é clichê: família, amigos, saúde, cultura, divertimento sempre que possível...
Mas não é só isso! Claro que isso também, mas não apenas. Lavar o cabelo com xampu e penteá-lo por horas sentindo o cheiro mais gostoso do universo me faz feliz; ficar sentada ao computador com um pote de creme hidratante do lado, lambuzando o corpo, sentindo cada poro meu, isso me faz feliz; achar uma calça antiga no armário e ver que ainda entro nela, e que vai ficar estupenda com a blusa nova e aquela sandália que vi na vitrine um dia desses; tudo isso me faz feliz.
Comecei a enxergar que felicidade mesmo, plena, a gente só tem em momentos muito curtos, como o tempo de um cheiro agridoce ou o sorriso do melhor amigo. Que no mais somos felizes, mas temos lá nossos pequenos problemas que nos impedem de sermos plenos.
Se quiser uma boa dica para aproveitar o dia e aproveitar você mesmo, passe um dia com você. Escolha seu disco preferido, tome um banho longo, perfume-se, sinta prazer nas pequenas coisas. Aprenda ver beleza e poesia no fugaz e assim tornarás eternas efemérides que jamais pensou fazerem real diferença.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

M. - parte II

Dai para a frente ambos cerraram os livros, e os guardaram. Conversaram, pareciam se conhecer há vidas. Tinham tanta coisa em comum, gostos tão peculiares e tão pares. E - puxa - ele tinha os olhos mais vivos entre todas as pessoas do mundo!
Era uma sexta-feira. Quem daria algo por uma sexta-feira num ônibus? O melhor que podia acontecer era apaixonar-se por Winston, ou odiar o Grande Irmão... Capaz!

Ao chegar no primeiro destino decidiram caminhar, aproveitar o sol, que como nunca brillhava no céu anunciando a chegada de um dia especial e do sentimento maior que sentira.
Ele tão cavalheiro, tão polido e educado. A fez companhia, com o intuito de ajudá-la a gastar o tempo livre. Não como sacrifício, pois certamente, assim como ela, estava verdadeiramente encantado pela infinidade de semelhanças que tinham, mas bem ou mal perdendo precioso tempo das belas ondas do mar, que estava encantadoramente verde e convidativo naquela manhã do Rio de Janeiro.

Ela tinha afazeres, mas não queria deixá-lo. Ainda não estava apaixonada - se recusava a senti-la por alguém tão despretensioso - Mas encantada, certamente.
Combinaram um encontro para as horas que seguiriam, na praia.
Enquanto esperava no consultório médico a hora de entrar, borboletas assanhadas dançavam um ballet em seu estômago, quase saindo pela boca tamanha ânsia de ver o tempo passar.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Eu Sei Que Vou Te Amar

Cedo no teatro assistia Danilo Caymmi. Num momento do espetáculo o artista decidiu homenagear o grande mestre e maestro Antônio Carlos Jobim. Depois de "Samba do Avião" e "A Felicidade", Danilo cantou "Eu Sei Que Vou Te Amar".
Essa é uma daquelas canções que a ninguém passa desapercebida. Não há quem não se sinta apaixonado ao ouvi-la.
Diferente de todos no mundo, Luisa não conseguia pensar em ninguém. Todos os amores, todas as paixões, em nenhuma ela de fato conseguia pensar "por toda a minha vida". A efemeridade dos sentimentos que sempre nutriu passou a ser compreendida por ela naquele instante.
A dor fustigante de tanto desamor jamais ardera tão ferozmente. Nunca fora deveras amargo o suave gosto de não ter ninguém para chamar seu, chamar sempre.
Não bastasse a dor de não ser capaz de amar "por toda a minha vida", em quaisquer das direções que olhava casais se abraçavam, se tocavam e silenciosamente juravam amor etreno. Até mesmo a amiga que sempre fora solidária da causa desamor dessa vez tinha conhecido alguém realmente especial...
O primo, grande irmão mais velho, também tinha uma nova namorada. Embora ela sempre tivesse ciúme das namoradas dele, simpatizava com a atual - é uma pessoa meiga e inteligente - pensava.
O casal da frente entrelaçõu os dedos das mãos. Até mesmo o homem que no início do show dormia solenemente e despertou de um susto com as palmas eufóricas da platéia cantava para sua amada os versos da canção.
Os pais estavam sentados distantes, mas ela podia ver o amor emanar daquele casal prestes a comemorar as bodas de prata. A mãe, com seu jeito meigo, recostou a cabeça nos ombros do pai. Ambos tinham um semblante calmo e aparentavam estar em plena harmonia.
O casal setado atrás tinha ainda mais tempo junto. Pareciam ser bastante parceiros um do outro. Ela os conhecia pouco, mas por eles nutria doce simpatia. Juntos, em voz alta, cantavam com Danilo a bela letra de Tom.
Cercada de tanto amor Luisa sentiu-se só como jamais acontecera em toda a vida. Precisava abrir seu coração urgentemente a um novo amor. Aquele que deveria ser "por toda a minha vida".

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

M. - parte I

Ela acordou cedo. Estava ansiosa. Algo borbulhava em seus pensamentos.
Enquanto esperava a van de sempre, que a levaria do Ingá para Ipanema, ouvia no iPod a música bonita que lembrava o ex namorado.
Desistiu de esperar pela van, decidiu pegar um ônibus que pararia na Gávea. Depois daria um jeito de chegar ao Leblon - Qualquer taxista no Rio sabe chegar ao Leblon.
Quando ela entrou no ônibus ele já estava lá. Sentado ao lado da prancha, lendo cabisbaixo. Os cabelos lisos caiam sofre o rosto. Ele era lindo, tinha cara de bebê, e lia.
Só por ler mesmo tendo cara de bebê, já ganhou um pedacinho dela.
Ela sentou-se ao lado dele. Ia arriscar um bom dia, mas optou por um sorriso leve. Logo pegou o livro que lia e começou a devorá-lo. Não tinha jeito de não devorar. Orwell.
Ela começou a se desconcertar. Ele tinha um cheiro de banho. Um pele morena queimada de praia. Tão envolvente, tão agradável.
Depois de algum tempo iniciaram um diálogo. Ela foi quem sugeriu o assunto, aproveitando a deixa de um telefonema dele para um amigo. - Também vai para o Leblon? Pode me dizer como chegar lá?

Bom Dia!

Bom dia pra você, bom dia pros seus ancestrais, bom dia pra sua vaca!

***

Time to wake.

Levantar de um pulo. Ligar a música bem alta. Acordar dançando. Escovar os dentes com vontade. Jogar água fria na cara. Lavar bem os cabelos na água gelada. Colocar uma bela roupa. Procurar um óculos de sol que combine. Perfumar-se. Sair de casa com um sorriso estampado!

***

Bon jour, Bom dia, como vão todos?
Bon jour, Bom dia, sua esposa senhor...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Ainda Bem Que Hoje Choveu

Enquanto eu, sentada ao computador, escrevia o que deveria ser esse artigo, começou a chover em Itaperuna com há muito não se via.
Era uma chuva grossa, forte, clara, cheia de raios, trovões e energia. Tinha tudo para fazer a luz cair, queimar os eletrônicos e dar uma tremenda dor de cabeça.
Decidi mudar o foco. Desliguei o computador, todas as luzes e tomadas da casa. Sentei-me na varanda com algumas canetas e um pouco de papel.
Pensei em pegar o iPod, mas achei que para entrar no clima era melhor evitar qualquer interferência externa, e ter um encontro meu com a chuva.
O som dos trovões era tão forte que me fazia estremecer, o frio da chuva que ricocheteava no chão da varanda e molhava minha pele era vivo, úmido e tão real que me tirava o ar a cada uma daquelas gotas borbulhantes.
Tudo me encantava e inebriava. A luz estonteante dos relâmpagos, a água barrenta que vinha descendo do alto do moro e passava pela frente da minha casa, e até mesmo a mosca errante que ficou parada à parede por mais de cinco minutos esperando a chuva passar.
O bucolismo dessa cena me fez pensar em como ando cada vez mais entregue aos adiantos tecnológicos, perdendo tardes à frente do computador, ou como já não durmo, dirijo ou tomo banho se não houver música, e como tenho preguiça de escrever quando posso usar o gravador de voz.
Isso me tomou um pouco do ar, pensei em como tudo me emburrece, cega, tira o prazer de simplesmente olhar a chuva, sentir suas gotas, usar um bloco de papel e caneta... Foi então que comecei a refletir e ver como minha geração e as próximas a ela já não sabem aproveitar esses pequenos prazeres.
Tentei então me lembrar do meu último banho de chuva. Mesmo fazendo esforço não consegui me lembrar de quanto tempo tem isso. Senti uma súbita vontade de por os pés na lama, deixar a água cair lentamente molhando cada centímetro da minha alma, molhar o cabelo, ensopar a roupa. Mas puxa! Aquilo daria muito trabalho... Secar tudo aquilo depois, ou toda a função para por biquíni, pegar toalha e não fazer bagunça acabou tirando a graça da brincadeira que nem havia começado.
Hoje já não se toma banho de chuva. É muito trabalhoso! Mais fácil é ficar sentada, em frente ao computador, estudando, trabalhando, escrevendo, ou vendo a vida passar.
Ainda bem que hoje choveu. Ainda bem que desliguei o computador. Não tomei banho de chuva, mas senti a minha alma lavada, só por essa troca de energia entre mim e a chuva.
Como poucas coisas nessa vida combinam tanto quando chuva, chá e literatura, vou aproveitar que não devo ligar o computador nem tão cedo, fazer um chá e me aninhar de pijama na minha cama para ler um pouco. É melhor correr antes que a chuva acabe e tome toda a poesia desse momento.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Before I Die...

Como diria Sheryl Crow - All I wanna do is have a little fun before I die!
Penso sempre na força que tem a forma como a gente canaliza nossos sonhos, desejos, anseios, etc.
Acho que a grande conclusão nisso tudo é que quando se busca uma coisa como caminho e não como objetivo, a gente passa a crescer naquilo. Quero a felicidade no caminho, ter um pouco de diversão até chegar lá. Conhecer lugares, pessoas, gostos, cores, sons, beijos, sonhos... Fazer disso o caminho para uma vida boa, tranquila, proveitosa, harmônica...
O objetivo é ter sucesso. Sucesso no sentido de conseguir fazer bons amigos, estar com pessoas inteligentes e interessantes, ter uma trabalho que me satisfaça pessoalmente, conhecer lugares e culturas novas, etc.
Isso tudo é que eu quero fazer antes de morrer, e no caminho ter um pouco de diversão...

Preguiça.

Ela anda preguiçosa das letras, das conversas, das canetas, das vodkas e até dos violões. Aqueles dias tão intensos consumiram um pouco da criatividade.
É preciso ler para ver se aquilo decide revisitar seu quarto, sua cama, seu closet. É preciso pegar o papel e namorá-lo, horas, dias, anos; até que algo fique pronto.
Mas a preguiça não permite.

Ela costumava chamar ócio, vazio, ou então dizia que estava oca.
Parafraseando Penélope Cruz como Maria Elena - Chronic dissatisfaction, that's what you have. Chronic dissatisfaction. Big sickness. Big sickness. - Será que essa fase está voltando?
Ela havia passado um ano tão bom desde a última insatisfação crônica que culminou no chute no balde histórico e na grande retomada.


Agora é hora de repensar se é isso que deseja para a vida.
Por via das dúvidas, melhor ouvir um pouco de Dido - Dido sempre me entende!



"Two weeks away feels like the whole world should've changed
But I'm home now
And things still look the same
I think I'll leave it till tomorrow to unpack
Try to forget for one more night
That I'm back in my flat on the road
Where the cars never stop going through the night
To real life where I can't watch sunset
I don't have time
I don't have time"

(Sand In My Shoes - Dido Armstrong)



- Ela é sempre brilhante.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Tempo

Como passa rápido o tempo para ela.
O tempo de uma paixão avassaladora é o tempo do novo esmalte, da música atual ou do prazer do cheiro de xampú.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sono

Tic-Tac. Tic-Tac. Tic-Tac.
Nove horas. Restaurante.
Amiga. Risada.
Temaki. Caipvodka de kiwi.

Tic-Tac. Tic-Tac. Tic-Tac.
Meia-noite. Rodoviária.
Companhia. Carro.
Vidro. Música. Juliana.

Tic-Tac. Tic-Tac. Tic-Tac.
Uma da manhã. TV.
Filme. Renée Zellweger.
Maryl Streep. Drama. Choro.

Tic-Tac. Tic-Tac. Tic-Tac.
Três da madrugada. Cama.
Cama. Cama. Cama.
Sono? Cama. Cama.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Mal dormida.

A noite foi difícil. Fazia muito frio no quarto. Levantar para desligar o ar condicionado definitivamente não estava nos planos. Rolava, rolava, apertava o edredon contra o corpo.
Sonhou coisas inimagináveis, pensou em pessoas distantes, se colocou em situações impossíveis.
Acordou às 11 da manhã! Também, pudera, só conseguiu pegar no sono quase às 3...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Unpredictable.

Queria sempre que tivessem dois adjetivos que a ela remetessem. O primeiro era amorosa; O segundo imprevisível.

***

Eu não tenho pressa. Eu tenho ÂNSIA!

***

Era noite. A claridade do poste entrava pela janela, não podia ver a lua, que àquela hora estava bem no alto, sobre a casa. Enquanto no rádio ouvia Dido, a luz de leitura estava acesa.
Sentada na cama, recostada em quatro travesseiros grossos, sob o edredom, lia.
Fechou o livro de um sobressalto, pegou o caderno vermelho que fica na mesa de noite e a caneta preta de ponta grossa que não gosta. Escreveu.
'Quero para a minha vida alguém que me surpreenda. E que isso valha menos apenas que o amor que me dedicar'.
Ao lado desenhou um coração, em seguida uma flor e outra mais. Rabiscou as bordas do papel, encheu de estrelas seus sonhos.
Não conseguia ir além daquelas duas frases. Talvez de fato elas fossem suficientes para definir o que sentia naquele momento.
Fechou o caderno, deitou de lado abraçando os travesseiros e pensou em como queria dormir acompanhada. Pensou em sexo. Sentou-se novamente. Abriu uma vez mais o caderno. Escreveu seu nome, no centro de uma página em branco.
Adormecida começou a escrever outros tantos ao lado do seu. Nenhum deles de fato combinava. No sonho acabava só.
Despertou sem fôlego decidida a não pensar mais no amor.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Trocando Beijos

Beijinho de esquimó.
Beijo na bochecha.
Beijinho de borboleta.
Selinho.
Beijo na testa.
Beijo com mordida.
Beijo de namorado.
Beijo apaixonado.
Beijo no olho.
Estalinho.
Beijo de novela.
Beijo de cinema.
Beijo roubado.

***

Ela beija todo mundo só pra ensinar a quem cruzar seu caminho que amor é sempre mais importante que qualquer outro sentimento. Beijar não a prende a ninguém. Beijamos quando queremos bem; ao outro, e às vezes, só a nós mesmos.

domingo, 4 de outubro de 2009

Domingo

Belo dia para fazer nada! Fazer nada na cama, fazer nada comendo pão doce, fazer nada lendo o jornal, fazer nada conversando com quem tá do outro lado do mundo, fazer nada vendo filme com os pais, fazer nada cozinhando, fazer nada tomando um drink, fazer nada comendo um churrasco, fazer nada com as melhores amigas, fazer nada lendo Márai, fazer nada ouvindo Dido, fazer nada programando a festa de aniversário, fazer nada comendo escondidinho, fazer nada dando risada, fazer nada lendo blogues alheios, fazer nada ligando pros amigos, fazer nada tomando banho quente, fazer nada olhando a lua cheia, fazer nada de roupão no sofá com um pote de sorvete, fazer nada na cama...

Todo Mundo Espera Alguma Coisa

Sábado a noite é sempre a mesma ladainha - Não vou sair, não tô afim - ela diz.
Os amigos começam a ligar; sempre os mesmos amigos, cada vez com mais agregados.
- Que vamos fazer?
- Não sei. Melhor vir pra cá. Aqui a gente decide.
A velha toalha de melancia. O Baralho. CINQUENTA REAIS. - Já disse que foi caro! Não põe a mão de gordura nele, por favor. - As cervejas, as vodkas, as risadas, as músicas.
Os copos sujos se empilham na cozinha. - Cada um que lave o seu! Vocês sabem que estão em casa! - Todo mundo quer escolher o som. Melhor deixar o iPod no shuffle. Assim não dá confusão.
Quem disse que queria sair chega bonito, de roupa nova, maquiagem no rosto. Ela decide se empiriquitar. Entra num banho quente, se enfia num roupão, corre para o quarto e grita "Me ajuda a escolher o que vestir!". Todo sábado é a mesma história...
Se arruma, se enfeita e faz a maquiagem que todas as amigas adoram.
Quando vê, descobre que mais uma vez não vão mesmo sair. A noite é ali.
No final das contas ficam os resultados da vodka e o violão. Tudo vira uma grande festa.

Não existe lugar no mundo melhor que a casa da gente...

sábado, 3 de outubro de 2009

Cotidiano

Enquanto Paulinho da Viola canta 'Coração Leviano' no rádio, o ventilador de teto range. E venta! - Maldição de vento! - Ela detesta vento quase tanto quanto detesta pombos.
- Pombos são como ratos. Piores! Eles têm asas. - Pensou.

***

A mãe se maquiava no espelho. Era um daqueles espelhos que aumentam; refletiam seus olhos verdes. Lindos olhos verdes! Tão linda era toda ela. E mãe tem jeito de mãe, e cheiro de mãe, e sorriso de mãe, e colo de mãe.

***

Irmão mais novo sempre leva a culpa. Se a chave some, a culpa é dele. Se algo quebra, a culpa é dele. Se a Coca-Cola foi aberta no almoço segunda-feira, a culpa é sempre dele!
Coitado! Se soubessem que a Coca é sempre obra minha, e que a chave que está sumida há mais de uma semana está no fundo da minha bolsa, e que...

***

- Papai é meu herói! Acorda quatro da manhã; por preocupação, por cautela, por amor, por familia. - Papai é um grande homem.

Manhã de Sábado

Naquela manhã de sábado ela acordou com o telefone tocando. Ele ligou para dar bom dia e dizer que a lua estava mesmo linda na noite anterior. Puta que pariu! Era manhã de sábado - quem liga na manhã de sábado?
Ela já acordou de mau humor. Desligou o som, porque não ouvia o telefone. Desligou o telefone, porque queria continuar a ouvir o som. Não teve forças para ligar novamente o aparelho. Tentou dormir de novo. Não conseguiu.
O sol entrava pela fresta. No laranja da cortina o sol se desfazia em milhares de raios borbulhantes que dançavam ao ritmo da Janis Joplin que tocava ao longe.
Juntou todas as forças, olhou a hora no telefone. Não eram nem dez e meia. Dez e meia! Sábado! Ahh não! Ainda assim era melhor levantar. Iria rolar na cama até quando? O sono já tinha ido, na mesma velocidade que a falta de paciência vinha chegando.
Tomou seu remédio, jogou o edredon no chão, procurou os três travesseiros e o roupão, gritou - Flor, pode arrumar aqui se quiser. Já perdi o sono! - e levantou-se, num passo lento, caminhando até o banheiro.
Era linda a imagem que via no espelho. Seu corpo nu, o roupão jogado por cima, os cabelos emaranhados como um ninho de mafagafo, a maquiagem negra escorria pela face, as olheiras iam até as bochechas. E ela, sinceramente, se achava linda, como há muito não se via.
Lavou o rosto, escovou os dentes, penteou-se. Procurou uma roupa qualquer no closet, colocou só a parte de cima de um pijama colorido. Os pés estavam descalços...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sem final.

Das coisas que eu gosto na vida, amar é sem dúvida a que mais toma o meu tempo. Amo vinte e quatro horas por dia. Amo tanto, e com tanta força, que alguns pobres de espírito duvidam do meu amor! Ah... Coitados destes!
Hoje estou amando as unhas sem fazer como jamais pensei ser possível.

Branco e Preto

Ela estava "zapeando" por uns blogs. Descobriu o dele. Por que ela nunca reparou nele? Ele é tão bonito. Bonito mesmo. Nem meio bonito, nem só charmoso. Bonito! Um gato. Mas ela nunca reparou nele. Pudera, ele tampouco reparou nela.
Ele é mais que bonito. Escreve tão bem, e tem um jeito que ela ama de fazer literatura. Nossa! Como ele é bonito, desconcertante!
Já está ela apaixonada mais uma vez. Começou a ladainha - casa, marido, filhos - de sempre. A imaginação voa longe, veloz.
Nossa! Como ele é brilhante. Ela quer dizer isso para ele. Está apaixonada! Brilhante, brilhante! "Você é brilhante!" E o que ele diria? Ele não diria nada. O que haveria ele de responder? "E você é...?". Pobre, já pensando nas xícaras de chá e nos cigarros e na europa e nos livros e no apartamento decorado com fotografias.
Já fez até mesmo uma fotografia dos dois juntos. Ele mesmo fez a foto, os dois sorriam, era branca e preta, os sorrisos eram brancos, a barba dele preta. Quanto amor naquela fotografia!
E os cigarros que ela nunca fumou, os cigarros que o acompanham. Ela queria até mesmo os cigarros.
E queria ainda mais os jantares... Aqueles que ele precisava de companhia, e que ela precisava de comida. Precisava alimentar alma, corpo e coração.


Mais um amor platônico, atônito. Esse amor não combinava com aquela tarde solar. Ela precisava logo de frio, olheiras, batom vermelho e literatura barata, para que combinasse com aquele amor.
Precisava de unhas pretas, descascadas nas pontas, de cabelos molhados e unhas pretas. Precisava dele.

Sol!

Eu falo, eu digo... É tudo culpa do sol!
Eu agora olhei para a janela e entendi porque essa alegria súbita, essa necessidade de criar, essa rapidez de pensamento. É o dia lindo que faz hoje, a luz que emana da vida!
Eu amoooo o frio! Acho tão poético, tão vermelho, tão vulgar, tão sujo, tão gostoso! Mas ainda assim, me deixa torpe, me deixa oca. Talvez seja toda a poesia do frio... É aquela coisa de que 'quando estamos bem não sabemos criar'.
Bela vida que vejo hoje, luz nos olhos de alguém. Um belo dia para me apaixonar!

Inspiração.

Não sei que bicho foi esse que me mordeu, mas hoje acordei jornalista. Haja empolgação! Hahaha! Lá vem... Queridos editores, hoje é o dia de me pedir "aquela" matéria corrida...
Delícia! Vou escrever!
Beijos, queijos.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pressa, Pânico.

É neste final de semana que o meu ano vai refletir. É nesta nota, nesta bendita prova. Em tudo isso que vou ver o resultado.
E no próximo ano, escolher. Procult? História da Arte? Museologia? Difícil vai ser só escolher. Amém!!
To ansiosa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

A Fuga das Galinhas, ops... Das Ideias...

Os melhores textos sempre vêm a mente quando estamos em situações impróprias. Todas as noites um romance inteiro se delinea na minha cabeça, é só pegar o papel que ele corre. E o que dizer então do banho? Chega a ser uma piada. Saio correndo, chuveiro afora, toalha enrolada, xampú na cabeça, molhando a casa, desesperada para encontrar o computador... E depois? Depois nada! Tudo aquilo some. Lembro da primeira, quando muito da segunda frase. Depois a história ganha outra cara, outra vida, outro jeito.
Como isso que eu contei não é nenhuma novidade e totalmente desinteressante, acho que é melhor explicar o porquê (neste caso como se grafa?) do comentário: É que eu estava na minha cama, e ainda tinha sono, e a temperatura estava agradável, e o barulho da obra do lado nem estava me atrapalhando. Até que alguém veio me visitar a cabeça. Era a ideia! Sempre ela... Que me tira da cama todas as manhãs. E ai começa aquela função convulsionada de levanta, corre, liga o computador! Anda! Anda! Antes que ela fuja... Tudo estava relativamente correndo bem, e eu ainda me lembrava do que queria escrever. Já tinha arrumado minha cabeça, ia escrever, publicar e depois tomar os remedios, escovar os dentes e finalmente "acordar".
Por um imprevisto desses que tiram a gente do sério, a minha internet não queria funcionar, fiquei uns 5 minutos ajeitando os fios, e quando vi já tinha tudo ido embora. Não lembro sequer do que se tratava aquele pensamento tão forte que me tirou da cama.
Tentando fazer alguma relação com as coisas que eu já pensei hoje lembro do dentista, mas não acho que era sobre isso que eu queria falar, até porque acho que não tenho muito para contar sobre isso; o que mais, o que mais? nada... não lembro! SUMIU!
E agora, como faz? Escreve sobre o quê? Sobre a falta do que escrever? É tão fácil e tão pouco. Quem disse que era isso que eu queria... Quero sempre mais.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Toma Lá Dá Cá

Acho engraçado esse sitcom. Acho mais engraçado ainda como sitcons estão dominando o mundo. Até o Brasil, o país das novelas, vem cedendo, pouco a pouco, a eles.
Não vejo muita graça neles, de uma forma geral. Vez por outra acabo assistindo House, Friends ou Lost. Mas nada que depois de uma semana eu continue gostando...
Televisão é uma grande bosta, reclamar dela é um clichê. Tem muita coisa boa sim, a gente que é mal educado e se acostumou com besteira. Até TV aberta tem coisa boa. A Cultura, a TVE, tudo isso tem coisa boa; a própria globo tem coisas boas, mas é que a gente banaliza...
Tudo tá tão banalizado, tudo é tão pouco...

Faz Calor

Faz calor
Há suor
Roupa pouca
Estampas
Pele
Bronzeado
Salto alto.

É noite
Escuridão
Televisão
Comida
Cozinha
Pai e mãe
Ainda faz calor.

É madrugada
Ventilador
Vento odioso
Ar condicionado
Frio
Edredon
Ainda faz calor.

Insônia toma conta da madrugada quando faz calor,
o corpo não aguenta, adormece, sem vontade.
E na hora de acordar a dor é da alma,
que dormiu sem vontade por pura exaustão da briga eterna.

Quem virá?

Não é só porque inda não nos encontramos
que não posso senti-lo em mim.
Em cada poro, em cada veia, em cada pêlo.
Estás aqui, tão perto e tão dentro, como jamais alguém esteve.

Se nossas vidas ainda não se cruzaram
é apenas um sinal de que o tempo trabalha em nosso favor.
O amor precisa ser trabalhado, moldado,
e sempre vem no momento certo, quando tudo está em paz.

Seremos um dia uma só alma, que habita dois corpos.
Seremos então um só corpo, onde habita toda a felicidade.
Seremos então o reflexo da felicidade.

Todo o amor que há por vir será pequeno,
jamais algo sublime assim pode ser real.
Amor de todo o meu sangue, te prometo sempre ser a mais leal.

sábado, 26 de setembro de 2009

Meu Lar

Casa a maioria de nós tem, mas um lar assim como o meu eu acho que não conheço em tal magnitude, harmonia e perfeição!
Ontem éramos não mais que vinte pessoas, umas e outras garrafas de umas e outras vodkas e alguma coisa para beliscar. Hoje, nem mesmo dez éramos, e tudo que tínhamos era um baralho, uma diversidade de filmes e pipoca de bacon.
Mas nada além fez-se necessário, porque neste lar há amigos, verdadeiros, humanos, cheios de bons defeitos! A felicidade está presente nos rostos, nos sorrisos, nas brincadeiras, nas cartas da mesa, na coca-cola que embebeda, nestes que são sempre amigos.
O Chico Buarque no DVD, o Los Hermanos no violão, meus pais, meu irmão, os agregados... Como este sim é um Lar daqueles! Sou muito realizada por tê-los. MUITO!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Forever 21!

Que dia lindo e solar! À meia noite 'aqueeelas' pessoas não esqueceram de me ligar... Durante a manhã outros tantos bons amigos me parabenizaram... Outros mais ainda hão de vir, de ligar, de felicitar.
É por isso que só tenho a agradecer, todos os segundos da minha vida, por ter escolhido uma forma de viver que me permite passar para as pessoas ao meu redor amor, amor e amor. Sou uma pessoa completa, embora algumas coisas possam mudar para melhor, não tenho absolutamente queixa alguma. Sou feliz como sempre desejei, amo como sempre previ e tenho ao meu lado pessoas que são reflexo de todo o amor devotado! Que maravilha de aniversário!!!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Inferno Astral

Todos os anos passo um mês de setembro deveras conturbado. Sempre é um mês pouco produtivo, bastante dolorido e levemente irritante. Este ano foi diferente! Não tive um pré-aniversário difícil, em aspecto algum. Estou em perfeita harmonia com meus pais, muito bem servida de amigos, e cada vez mais apaixonada por mim mesma.
Tive um dia excelente, daqueles que ninguém pode por defeito, e para fechar com chave de ouro estou me sentindo linda! Nada que unhas bem feitas, minhas depiladoras amadas, e uns e outros presentinhos não sejam capazes de fazer por qualquer mulher; mas de fato estou me sentindo em completo acordo comigo mesma! Amém!!
Amanhã faço 21 anos, e espero que seja uma bela idade, cheia de crescimento e repleta de amor.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Uma Pitada de Realidade

A noite chegou... Junto com ela parece que algo de mim voltou junto. Quando esperamos por algo ansiosamente e não temos nossas expectativas atendidas parece que tudo volta mais ao real... A minha volatidade é tal que ao menor movimento errado do outro acontece uma quebra de paradigmas.
Bem verdade que é fácil reconstituir quando a quebra é pequena. Difícil é passados anos perceber que aqueles em quem cremos piamente perdem credibilidade, perante os nossos anseios.
Não é o caso, não dá para simplesmente perder toda a paixão por um deslize... Mas é bom para trazer um pouco à realidade, e quicá, deixar de ser uma pessoa "oca".

Twitter

Hoje acho que um blog não se faz tão necessário. Se eu gostasse e soubesse usar o twitter certamente me serviria como uma luva. Minhas ideias são fracas e desconexas, e certamente não têm mais de 140 caracteres.
A proposito, conseguir uma ideia concluida, escrita, fraseada e real está tão difícil quando escrever sobre a Parada Gay em Itaperuna ou falar sobre o amor nos tempos modernos.

Por quê?

Alguém disse-me certa vez que artistas só conseguem compor em momentos de dor. Seja por um amor não correspondido, pelo final de uma grande paixão ou pela perda de algo ou alguém.
Será que esse meu vazio para criar seja reflexo de um momento 100% pleno?
Por que as linhas simplesmente não se concluem? Por que os sentimentos se perdem?
Nunca senti esse vazio, e ao mesmo tempo tamanha plenitude. Essa bagunça comigo mesma, que o sono não recompõe, que o banho não lava e que a música não abstrai me assusta e ao mesmo tempo me faz feliz.
A verdade é que preciso escrever! E são laudas e laudas... E até ontem, e hoje, e amanhã! Como fazer? Que desespero, que grito, que ânsia! Que DOR!
A dor por não sentir dor é daqueles desesperos que inebria o artista, que causa espanto, que choca, que treme! Por que simplesmente as coisas não fluem? Por que essas linhas são tão massantes, repetitivas e pobres de significação? Por que não consigo simplesmente ser pontual e não ficar só fazendo perguntas sem respostas e lançando interrogações a mim mesma, as quais certamente serei eternamente incapaz de responder? Por que a vida me toma de tal forma que não me alcanço e não me compreendo??
A sede por deixar mais e mais e mais... E armazenar, e escrever, e assinar, e ter, e ser, e viver, e... Como as coisas assim me tomam e me deixam absolutamente arrepiada?
A falta de alguém que me leia e, sobretudo, de alguém que me compreenda torna-me cada vez mais maluca e me enfia cada vez mais fundo nessa louca espiral de incompreensão mútua externa e internamente.
Não consigo alcançar motivos que me fariam perder todas as palavras, que as afastam de mim. Será que estou me apaixonando? Será que é por mim ou por outrem? É isso que desejo? Ainda que não seja, é possível sufocar?

Ócio Criativo

Vazio absoluto de expressão. Nada! Nada! Nada!!
Sempre que isso acontece brinco de shuffle... Mas se nem isso tá resolvendo, acho que é hora de cortar os pulsos!

Boa Noite

Não sei se foi a verdade daquele 'Boa Noite', ou a força do bem estar que conversas assim proporcionam... Sei que há meses não tinha uma noite tão tranquila, gostosa e plena.


***
"A modéstia é a humildade de um hipócrita que pede perdão por seus méritos aos que não têm nenhum."
(Arthur Schopenhauer)

terça-feira, 22 de setembro de 2009

s2

Ai Roberta Sá... Por que a voz dessa mulher é a melhor de todo o mundo de todo o universo em todas as dimensões para sempre 4 ever and ever?

Beatles e homeopatia.

Criar filhos deve ser uma daquelas tarefas que a gente não deseja nem para o inimigo! Mas também deve ser um presente daqueles que nem a nossa melhor amiga consegue escolher tão bem...
Eu me pego pensando em como eu vou ser quando for mãe. Algumas vezes quero pencas de filhos, outras, um só. Hoje ando pendendo mais para o filho único. Aquele que pode ser mimado, que vai ter todas as atenções, todos os carinhos, todos os beijos, e o tempo, e... Acho que filho merece ter tanto amor, todo o amor do mundo! Acho que é essa a única forma de formar uma pessoa boa: dando-lhe tanto amor quanto for possível.
Na maior parte da criação do(s) meu(s) filho(s) quero fazer tudo igual aos meus pais. Uma e outra coisa deve ser um pouco mai forte, outras menos intensas.
Se tivesse hoje um bebê se chamaria Luis, se fosse menina, Lígia.
Luis, pelo meu avô. E por mim mesma... Lígia, por Tom.
Algumas certezas eu tenho com relação a coisas que jamais poderia deixar de fazer com eles: A primeira é que eles vão ganhar livros desde o dia que nascerem. Que todas as noites vou ler para eles e fazê-los sonhar como toda criança merece!
A segunda é ensiná-los boa música desde muito pequenos... Meus filhos precisam conhecer Tom Jobim, Beatles, Los Hermanos... Não tem pra onde correr! Não quero eles ouvindo música de modinha. Pense uma criança 'ralando o tchan'?!
E ainda estou certa que vão sempre se tratar com homeopatia.
Quero filhos... Mas não agora! For Gods sake!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Recomeço.

Não costumo ser alguém muito reticente, mas meu último post fugiu um pouco desta regra. Quando pus a cabeça no travesseiro não consegui deixar de pensar nisso.
Agora, volto a minha forma simplificada, pontual e enfática de escrever. Sem a languidez e a fraqueza das reticências.
Hoje é segunda-feira. E se há alguma pontuação digna da segunda, está é a exclamação! É um novo dia para colocar a vida no lugar, alinhar os eixos, arrumar os sonhos, focar os trabalhos! É um momento de pontuação de obrigação e início de execução!
Eu, que sempre reclamo tanto da rotina, sempre andei culpando a segunda-feira por isso. O final de semana quebra e a segunda reconstrói. Acho que estava enganada, ou pelo menos que essa verdade é metade apenas. A segunda feira é o maior dos recomeços!
Se estamos no caminho errado, se a semana que passou não foi exatamente o que queríamos, ou se foi e pretendemos continuar no caminho da felicidade, a segunda é o momento ideal para transformar os sonhos em atitudes, de estudar, de fazer planos para os dias que virão e para, sobretudo, imaginar que a vida pode ser bem melhor!
Que esta seja uma semana cheia de boas exclamações. Que as reticências fiquem no máximo para a noite de quinta, toda a sexta-feira (meu aniversário) e o final da semana!

domingo, 20 de setembro de 2009

Dido...

A Dido é alguém que certamente me entenderia... Desde os meus 13 ou 14 anos é uma das minhas favoritas, e não há como não amá-la em todas em suas cores e sons... Excetuando-se aquela música da novela que me encheu total, não canso, nunquinha, de escutá-la mil vezes.
A música que hoje tem mais a ver com meu momento talvez seja Don't Believe In Love. Sobretudo quando ela diz "I wanna go to bed with arms around me, but wake up on my own; Pretend that I still sleeping til' you go home...'.
Não sei se é essa minha ânsia de amor, e essa minha exacerbada paixão; unida à meu desapego imediato e meu cansaço da maioria das pessoas... A carência me faz querer ter alguém para estar junto. Os abraços não dados, os beijos não trocados, os amores não vividos... Tudo isso me faz falta.
Mas quando estou perto de pessoas que poderiam de fato ser importantes começo a por em cheque se de fato eu quero verdadeiramente isso, ou se é puro capricho e necessidade de ser mimada e desejada e...
É tão intenso o que eu sinto, seja por quem for... Mas tão pouco humano, tão volátil. Se perde, se esvai... É assim que deveria ser? Eu não gostaria que o fosse... Gostaria que minhas verdades durassem mais tempo que uma boa noite, ou um dia agradável... Queria tanto que tudo fosse tão...

Doces 16...

Domingo costuma ser um dia monótono; 0 de hoje não poderia fugir à regra, obvio. Mas aniversário de irmão é aniversário de irmão... Os amigos dele, o prato preferido, essa música alta, irritante, repetitiva e intermitente, tudo que ele mais gosta. É muito bom vê-lo feliz. É bom ver que ele está crescendo, amadurecendo. Que é bem quisto pelos amigos, que tem bom gosto, que aprendeu a se vestir e se comportar e se tornou um garoto bonito. É tão amado meu irmão, faria por ele qualquer coisa... Às vezes eu deixo de dizer isso para ele, pela volatilidade do tempo e pela rapidez da vida, mas a verdade é que pelo meu irmão eu deixaria qualquer coisa, que sou apaixonada por ele, e que é a pessoa do mundo que mais importa para mim. Ele é o meu oposto perfeito, e a extensão de mim...

sábado, 19 de setembro de 2009

Sábado de sol (aluguei um caminhão, rs.)

boas surpresas são melhores que dias de sol.
boas surpresas em um dia de sol fazem qualquer sábado gostoso.
estar com pessoas agradáveis, dormir bem, acordar ainda melhor, rir, olhar para a lua, sentir o vento batendo no rosto... que sábado!
leve, bonito, solar!
tomara que eu possa sempre ter bons sábados, calmos e deliciosos como hoje!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

F.D.M.

Amado! Tão amado, tão doce.
Tão doce e tão amargo
que me lastima e me queima
me subtrai como uma rima pobre
e nada me soma além da doce paixão
sempre tão pouca e sempre tanta.

Amado! De amado nada tens.
De paixão não passa, esse amor eterno.
De nada valem promessas, beijos ou versos
de nada valhes. Esses seus olhos, seu cheiro
tudo isso que me inebria, me embriaga
e num momento de lucidez percebo que de nada serve.

Odiado! Odeio a partir de agora tudo que é seu.
Me odeio, me odeio, me odeio.
Com força e intensidade tamanhas
que posso dizer até ser igual ao amor que te dedico!

De toda esta louca paixão, deste desmedido amor
me conforta saber que amanhã já te esqueci.
Que outro belo rapaz há de encantar-me
e meus olhos vão brilhar por outrem
que, belo como você, jamais será capaz de ser completo.