domingo, 28 de março de 2010

Seios.

A criatura acorda nua, suada e sorri. Pega o telefone, atende rápido, volta a dormir... A criatura ainda está molhada. Levanta para ligar o aparelho. Fica de pé. De pé sente seu próprio peso e sente seu próprio seio e seu próprio beijo.
A criatura é mulher demais nessa manhã, e quer música francesa, filme francês, e quer viajar. Mas pode ser até mesmo para petrópolis, pode ser até mesmo para um sítio em ubá, pode ser qualquer lugar.
A mulher toca os seios que estão pequenos, sempre pequenos, e a impressão sempre a mesma. E o corpo está todo magro, sem barriga e com umas dobras tão gostosas de tocar que se ama. E a criatura/mulher se adora.
E já é manhã alta. E já pode parar de viver para só viver sem parar. Já pode começar o dia, o sorriso amplo, o completo da vida.
E quer filmes, quer ser Amelie, quer ser Jacks, quer ser cada uma delas um pouco e de cada vez. Quer ser Marteuil, Nola, Cristina...
Quer virar cinema, quer fazer cinema, e quer que a vida seja filme. Filme com trilha sonora francesa...
Ah, pobre coitada e pobre de espírito, que conhece nada de música francesa... Vai procurar estudar mais, e falar em estudar, vai ler Aristóteles, porque precisa para ontem... E tem tanto a ler, e tanto a ver, e a vida corre tanto, que às vezes não dá tempo, e é preciso focar.
E parar com as brincadeiras bobas, e parar de ver a vida correr, e parar de ver o tempo voar para voar frente ao tempo.

4 comentários:

Anônimo disse...

E voce nem conhecia Charles Aznavour quando eu te conheci... ou, pelo menos, finjiu muito bem.

Luisa disse...

Anônimos são tão interessantes... Minha péssima memória me impede de encontrar qualquer referência...

Marília disse...

Gosto de música francesa. Olha que surpresa você "blogando"! Posso te linkar, chérie?
Bj

Por que você faz poema? disse...

Adoro textos femininos sem feminices, são tão abertos e ao mesmo tempo tão inconfessaveis.