sexta-feira, 14 de agosto de 2020

santo fez milagre sim.

foi só falar do santo que de repente são 4 da manhã, eu já criei toda a estratégia e identidade visual nova da ara.

não vou perder a estética vermelha pro feed e nem a pegada artistica.

mas usei umas fotos da trip com o filtro bem van life pra contar onde a gente ta agora.


depois eu comecei a fazer os posts de conteúdo seguindo a mesma linha.

mas eu mal comecei a mexer e já to odiando.

os posts iniciais, que é a gente contando porque a gente virou ara on wheels e tudo mais eu achei show. vou manter assim. só quero saber do dudu se ele ta confortável com a parte dele -- fotos, texto... e ai ta pronto pra meter bronca.


ai vem a parte "dicas".

essa parte eu acho que tenho que voltar a ser ara.

e não ficar nessa vibe van life. não posso descaracterizar dois anos de trabalho pqe eu to nessa fase. sendo que eu amo meu lado ara.

eu amo quando eu vejo algo que eu quero postar e eu posto ali.

ali sim é o meu feed que eu não brinco. hehehe aquele sim é o feed que eu me orgulho.

enfim. agora eu vou me orgulhar de tudo. porque tudo ta ficando lindo e eu to definindo muito melhor o meu caminho.

respostas: a ara vai ser ativa como uma conta que dá dicas de social media em português focada no mercado brasileiro nos EUA. vou construindo pra um dia eu ter o meu curso. fazer a tal escola online criativa que a gente falava... acho que é um bom começo. se eu tiver agenda é fácil.

posts no feed: acho que 3 por semana tá bom. se eu montar feed pra um mês eu posso deixar programado no postgrain e vai ser show.

stories:

ai toda segunda eu posso postar: DICA de instagram. dessas que eu to fazendo e acho que vai ser bom

terça: escolho um artista e compartilho vários conteúdos dele.

quarta: DICA

quinta: escolho uma páginca maneira e compartilho.


basicamente vai ser, dia sim dia não, compartilho um conteúdo q eu amo, e dou dicas de social media.

a estética me preocupa. mas ao mesmo tempo não.

acho que vou tirar de letra.

acho que acertar a estética me ajuda até a colocar carrosséis no feed se eu quiser. ponho com umas imagens bem malucas e vai ficar lindo e vermelho. show.


VOLTEMOS A LUISA.

tenho só o tal do "um minuto pra respirar" ou coisa que o valha.

isso é uma coisa legal, q não esgota fácil. mas preciso de muito mais.

se eu to no meio da natureza, eu preciso falar de sustentabilidade, ou saúde, ou alimentacao, ou algo assim. pqe se não, pqe caralhos que eu to aqui?

e se for exatamente isso.

eu nessa busca por tentar me entender nessa vida minimalista, com erros e acertos.

isso é bonito. é proximo. é real. é exatamente quem eu sou.

e por isso ta tao dificil definir pra que lado que eu quero ir. porque eu to passando por esse processo e esse processo é complexo e cheio de altos e baixos. e se eu compartilhar coisas desse processo eu acho que vai ser massa.

tipo: o desafio de ir ao mercado. onde ir? como ir? gastar? nao gastar? 

é mto white ppl problem? acho que não. acho que é algo sério.

ai vem a coisa dos produtos: o que usar, o que nao usar, o que é biodegradavel, o que nao é.

essa busca é muito legal.

esse papo é muito interessante.

se o meu foco agora é esse, entao o instagram tb precisa ser. e se daqui a 6 meses eu mudar ok, se eu for consistente agora - e nao vai dar pra nao ser por razoes obvias - eu mudo levando quem ta comigo agora.


eh q assim eu nao acho q eh um papo bs. 

assim eu me sinto confortavel. eu só preciso organizar isso numa planilha.

lá vai.

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

santo de casa não faz milagre.

 mas santo de van há de fazer.


eu sei que tem séculos que eu preciso tomar coragem de encarar meus próprios medos e vergonhas e me jogar nessa coisa de internet.

assumir a influenciadora digital que mora em mim, sem vergonha do que vão pensar. sem medo de ser cafona.

cafona é deixar coisas que a gente gosta de lado.


mas não é por isso que eu deixei. é porque eu sempre quero muito e tudo ao mesmo tempo.

então eu começo algo, a coisa se embola em outra, vai perdendo a graça, até que fica esquecida no fundo da gaveta. a melhor banda de todos os tempos da última semana. sim.


enfim.

o fato é que eu já assumi pra mim que eu quero isso sim. que isso é algo que vai possibilitar a vida que eu quero, sonho, e que é fácil de viver.

e por isso eu preciso MUITO me dedicar.

e a primeira coisa que eu preciso fazer é me comprometer com meu conteúdo.

só que pra isso eu preciso saber qual é o meu conteúdo.

eu preciso GERAR CONTEÚDO.

sabe aquilo  que a gente fala pros nossos clientes e não segue?

é aquilo que a gente precisa criar.

e a gente precisar criar basedo no que a gente gosta.

mas o que é que a gente gosta afinal?


a gente gosta de feminismo, feminino, minimalismo, van life, saude mental, amor ao próximo, social media, viagem, ...

e não dá pra ser isso ai tudo. só da pra ser o que eu quiser se eu tomar um caminho desses ai.

e quando eu falo luisa, eu falo luisa mesmo. não o van life. são coisas diferentes e podem ser completamente diferentes.

eu posso em um fazer o que eu to fazendo nos dois, e no meu fazer o que eu acho que precisa ser feito: criar conteúdo.

qual é o conteúdo que eu vou criar?

não é van life. pra isso eu tenho o van life, e sobre isso eu penso na sequência.

agora eu to falando de mim.


eu amo falar sobre feminismo, mas eu me sinto um pouco acuada a falar de qualquer coisa desde aquilo tudo do wendy  e de mais a mais eu to tentando me manter longe de qualquer coisa que faça mal a minha saúde mental.

temos também esse assunto, que é muito próximo do van life, dos motivos que me fizeram optar pela van life, mas sinto que pra falar de saúde mental seria muito melhor se eu fosse uma profissional da área. assim eu vou acabar batendo em limitações que eu não sei se to afim.


tá mais facil. já cortei alguns assuntos. politica não. viagem é o van life. me sobram basicamente social media e "amor ao próximo". que eu chamei assim desse jeito escroto, pq eu sempre acho meio escroto mesmo.

acho que esse amor apolítico é falso. não compro essa coisa dessas influencers namaste e tenho um medo do caralho de soar, e ser mesmo, piegas.


ai sobrou social media. tá ai um assunto que eu gosto. eu saco, eu faço isso há uma tonelada de tempo, eu to sempre na frente quando algo chega e eu NUNCA aplico pra mim.

se eu começar a falar de social media eu vou

1- arrumar clientes pra mim e posso ter a minha equipe de volta executando.

2- crescer os meus seguidores e ter um conteúdo massa

3- falar sobre como a rede social conecta pessoas distantes, falando sempre sob uma ótica de van life, de vida livre.

É ISSO! é a social media como uma ferramenta de vida livre!!!!!

tá definido.

uau.

tá definido.

que foda.

VAMOS COMEÇAR COM:

....

na verdade, tem que chegar em: SOCIAL MEDIA PAGA UMA VIDA VIAJANDO?

isso.

é isso que eu preciso provar que sim.

mas antes eu preciso construir pra chegar lá.

e construção vem de contar história.

ONDE EU TO.

aliás, QUEM EU SOU. onde eu to. pqe eu to.

oi, eu sou a luisa, e pra quem não me conhece eu sou a dona da ara creative ideas, uma agência boutique de ideias criativas que funciona dentro de uma van - onde eu moro com o dudu, meu marido e o pastrami, meu cachorro. 

a gente trabalha enquanto viaja conhecendo praias e parques nacionais. não é que minha vida sejam férias ambulantes. muito pelo contrário. eu trabalho muito. só que na hora que eu quero, em algum lugar do paraíso.

antes de eu cair na estrada, toda hora alguém me perguntava: luisa, como você vai pagar as contas? você juntou dinheiro pra todo esse tempo?

quem dera.

eu sempre respondia: "eu vou continuar com a ara, a minha agência. só que agora ela só vai trabalhar online. agora a ara vai ganhar rodas. eu vou continuar trabalhando só com social media."

então hoje eu vou explicar pra vocês como eu tirei o meu sonho do papel, como eu consegui fazer isso tudo virar realidade!

a primeira coisa foi que como tudo aconteceu durante a pandemia. entao, a gente estava completamente sem clientes e sem nenhuma perspectiva de novos contratos. quando a gente se viu sem grana, precisando de distanciamento social e louco pra viver mais em contato com a natureza bateu a certeza que era a hora de tirar um sonho do papel. a gente tinha dois meses de aluguel em contrato, e o relógio começou a contar. 

fizemos uma limpa maravilhosa no nosso apartamento. separamos tudo que era muito importante, ou que queríamos trazer pra van. vendemos todo o resto. nos desapegamos de um infinito de coisas. deixamos pra lá tudo que não era preciso. levantamos uma boa grana.

depois pedimos doações para os amigos para levantar a grana pra comprar a baby rose. e putz, eu vou ser pra sempre grata a cada um desses amigos fodas. incríveis. conseguimos!

seguimos vendendo tudo e procurando jobs loucamente. pegamos trabalhos de todos os jeitos e entregamos com uma super qualidade em tempo recorde... fomos fazendo trabalhos de branding e social media, rapidinhos e baratos, e o resultado foi ficando super maneiro e os clientes curtindo e recomendando...

nos juntamos aos melhores amigos do planeta, que abraçaram a gente no nosso momento mais maluco e caíram dentro na obra dessa baby rose. tivemos os nossos parceiros, que viraram irmãos... e eu nem sei como dizer o quanto eu sou grata por essas pessoas.

depois ainda finalizamos com um garage sale e uma rifa com 10 marcas parceiras incríveis e a quem eu também sou eternamente grata.

as coisas não foram e ainda não estão sendo fáceis. a casa tá quase pronta, mas ainda falta bastante coisa e pra isso a gente ainda precisa de bastante grana. 

mas vai rolar.

o fato é que a gente agora, mesmo com pandemia, foi recuperando os nossos clientes e com essa grana a gente consegue viver a vida que a gente sonhou. no meio da natureza, conhecendo lugares maravilhosos, com a nossa saúde mental em dia - mas ainda conectados com o mundo que a gente sempre fez parte.

e é pra isso que a gente usa as nossas redes sociais. pra conectar com quem tá na mesma sintonia que a gente.

queria agradecer a todo mundo que tá por aqui e dizer que vocês são todos muito bem vindos na nossa viagem.


PRONTO.

posso estar só chapada. mas achei que está otimo.

não vou reler hoje.

amanhã eu farei um infinito de criticas de qq maneira.

são 2 da manhã, preciso fazer xixi.

mas to amando meu flow.

tem anos que eu não entro num flow criativo.

mentira.

ele ta voltando e eu to amando.

olha a naturezaaaaaaaa.

ah que lindo.

pensei no caralho do dinheiro que eu preciso fazer asap.

vamos lá.

depois do video que eu faço?

pra onde o video leva?

dps do vídeo eu faço conteudos de AI CARALHO voltei no estresse do tema.

eu quero que seja COM O PANO DE FUNDO DE VAN LIFE E VIDA LIVRE, como usar a social media para unir pessoas.

caralho. é uma monografia. hahaha

mas pode ser.

e é sério.

eu nunca estudo minhas próprias coisas e eu to amando.

eu devia fazer mais isso.

é esse high que o dudu sente quando cria.

porque eu crio pros outros e não crio pra mim?

to tao errada.

amo meu livro.

tenho que voltar a ele e parar de ficar com medo de reler.

acho que eu to com vergonha.

mas enfim. problema pra outra hora.

agora o assunto é o meu instagram - monografia.


dito isso, eu posso falar de vida saudavel, ou seja, coisas simples e verdadeiras que são dicas saudaveis. exemplos REAIS: comida de verdade - que eu faço. comida de verdade - que vamos passar a comprar nas feiras jajá. RESPIRAÇÃO. eu preciso respirar mais. e eu preciso me lembrar disso.

posso usar o meu instagram como um espaço pra isso

IDEIA: vídeo da paisagema aqi onde eu to

sons da natureza. 

e ai na legenda. PARA AGORA. coloca um fone. desliga do mundo e respira 1 minuto.

RESPIRA UM MINUTO.

é isso. o nome da série é "RESPIRA UM MINUTO"

vai ser lindo. pra mim e pra quem vai receber. meu deus que idéia genial.

e ai eu vou sugerindo. manda pra aquela pessoa que precisa parar e respirar um minuto.

isso é um gesto de carinho.

e é mesmo.

fora que posso falar: salva pra você assistir na hora que bater a ansiedade.

ai eu posso falar um pouquinho de ansiedade e saude mental dentro dessa coisa.

mas bem POUQUINHO luisa. não perde o foco.

respira um minuto.

ótimo conteúdo pra salvar e compartilhar.

CARROSSEL:

isso é um lance mto maneiro. e que tem artezinhas. e eu posso fazer artezinhas nas minhas fotos lindas de natureza.

agora, o que são conteúdos relevantes? aqui seria o lugar legal pra falar de social media. eu gosto muito daquela coisa que eu fiz do "VOCE é FODA".

ta. mas foco no feed. carrossel. o que eu quero fazer?

pqe as dicas de social media eu quero introduzir pelos stories.

aos poucos eu vou contando como eu fiz tal coisa.

que eu achei legal e que as pessoas perguntaram como foi.

ai eu ensino. pergunto se a galera gostou do tutorial.

faço outro no dia seguinte.

vou fazendo assim no começo. vendo o que as pessoas vão respondendo.

e ai passo a fazer os carrosseis.

mas até la. que tipo de carrossel eu posso fazer? que tipo de conteúdo que tem a ver com o tema da monografia interessa?

COM O PANO DE FUNDO DE VAN LIFE E VIDA LIVRE, como usar a social media para unir pessoas.

van life e vida livre.

coisas sobre van life - não é compartilhavel.

coisas sobre sustentabilidade  - é compartilhavel, quanto mais simples melhor. tipo aquele perfil que eu to seguindo. mas na verdade eu posso falar dos meus incensos, cheirinhos, velas, decor. tipo, mostrar um pouco da vida minimalista da van. fazer tipo a mimi, criando um album com "coisas que eu tenho na minha tiny house que fazem sentido" com coisas sustentaveis. 

mas eu ainda não tenho nada.

tá tudo faltando.

e se eu fizesse: um tourzao com fotos e a casinha toda arrumada. mesmo do jeito que ela tá agora, e que daqui uns dias esteha melhor.

e ai eu coloco o tour no feed. mostro as qualidades. e depois eu faço um tour dos "defeitos". ou. da lista dos desejos. tudo que eu quero. e to pedindo pro universo. positividade. van life. minimalismo.

social media foi pro saco.

 vbvmas é que nao da pra abrir mao da coisa da van life e da vida livre.

eu vou fazendo os dois assuntos nos stories... e enquanto isso, que cartela pode entrar mais no feed? o tour da van não é salvável pra caralho. só se fosse muito lindo. e não vai ser.


enfim. é a vida real. a van tá toda feiosa ainda. mas vai melhorar.

fred chegando, igor fazendo o dele. e se sobrar uma graninha eu compro o meu cover de edredom. tudo melhora :) ah. e as gelatinas das benditas luzes. hahaha as luzes são uma desgraça.

enfim. conteúdo.

carrossel. conteúdo salvável e compartilhável.

o você é foda é super compartilhável. mas tem que ser muito paciente pra mandar pra 202093483290 pessoas e dar o gás. mas beleza. eu faço. mas preciso ser criativa. só você é foda não resolve.

bom. dicas de social media. ok. compartilhável.

tour ..... salvável?

IGTV?... acho que ajuda a contextualizar.

com x? sei lá. 2 e meia.

pqp. rodei rodei e não fiz NADA.

só continuei no mesmo lugar.

tá vamos lá.

UM IGTV por semana. de CONTEUDO. contando historia, ensinando alguma coisa, dando algo pras pessoas. o que pode ser conteudo pra IGTV?

esses papos mais cabeça sobre a sociedade e como o mundo é louco?

a coisa da social media, e se eu levasse pra ara???

tipo. quem quiser aprender aquelas coisas vai pra ara. eu vou repostando no meu até dar certo. 

e na ara fica bem mais profissional.

amei.

quero começar agora.


a primeira semana morando de verdade na van


sinto que preciso escrever.

precisamos antes trabalhar no template do novo blog.

dudu disse que precisamos pensar na mecânica da coisa.


blog.

que coisa mais anos 2000.

e aqui estamos nós, 20 anos depois, criando outro.

acho que viramos aqueles tiozões saudosos das tecnologias antigas.


mas a van. o assunto era a van.

a primeira semana de viagem.


nesse segundo eu só consigo pensar nos mosquitos.

o maior perrengue que eu passei com mosquito na minha vida foi esse.

está sendo.

a gente ainda tá no meio da viagem e eu preciso encontrar soluções.

o foda é encontrar solução quando se tem zero dinheiros.

enfim.

esse é o problema.

uma vez adressado, vamos pra parte boa.


ah, antes. melhor dizer logo o outro problema: calor.


calor e mosquitos.

não fosse por essas duas coisas, seria perfeito.

mas é aquilo.

são duas coisas que um ar condicionado resolve.

e o que resolve ar condicionado é dinheiro.

então vamos correr atrás de dinheiro pra poder fugir do sistema.

as always.


maldito sistema.

ele sempre te pega de volta e te enfia dentro dele.

mas a vida de van tem me ensinado a resistir.

resistiremos.


resistiremos quando a gente ouvir as cigarras cantando;

o céu cheio de estrela;

o sol nascendo longe e acordando a familinha;

as árvores balançando;

os coelhinhos correndo em volta da baby rose;


resistiremos fazendo amor;

sendo amor;

nos amando mais que nunca e mais que tudo.


terça-feira, 14 de julho de 2020

escrevendo sem oculos

peco perdao previo pelos erros que nao vou consertar pq possivelmente nao vou ver.
e pela falta de cedilha.
meu computador pirou e anda com preguica das cedilhas.

eu tambem pirei e ando com preguica de muita coisa.
mas nao eh bem preguica. eh desgosto.

eu to mto perto de uma coisa que quero muito. mas ta mto dificil. ta mto estressante. ta muito pesado.
chegar la ta sendo um desafio insano.

mas vai dar tudo certo.
sempre da tudo certo no final.

a gente ta aqui, na casa dos meninos, com conforto e com tranquilidade.
as coisas vao se acertar.
falta muito pouco pra gente pegar baby rose e cair na estrada.

***

eu tava agora revisitando o passado.
lendo emails antigos.
lendo neruda.

pensando em como tudo muda.
o que a gente quer muda.
o que a gente gosta muda.
o que a gente faz muda.
o que a gente diz muda.

o mundo muda o tempo todo e a gente precisa mudar junto com ele.

***

mas pqe tem gente e tem coisa que a gente nao consegue mudar de verdade?
eu queria conseguir mudar umas coisas em mim.
apagar pensamentos.
esquecer de certas atitudes.
fingir que nao aconteceu. que nao foi comigo.

mas nao da ne.
nao da para passar borracha nos nossos erros.

e é bom que seja mesmo assim.

***

eu to me transportando pra aquela garagem na chuva e pensando naquilo tudo de desamor.
eu nao sei pqe eu voltei pra esse lugar agora.
mas eu voltei. e eu queria nao ter voltado.
maas eu voltei. e nao foi uma escolha.
eu voltei pqe eu sempre volto.
o tempo passa. a coisa acalma. a coisa passa. ai a coisa volta. 
que inferno.
eu nao quero nunca mais voltar pra isso.

mas hoje eu queria.
só um pouquinho.
saber como anda tudo.
matar a saudade, a curiosidade. a vontade.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

carga mental

eu preciso estar a par de tudo que está acontecendo.
eu preciso coordenar a ação das pessoas que estão nos ajudando.
eu sou a única pessoa responsável por entender todas as etapas e ordenar as prioridades.
eu sou a única pessoa que entende tudo que precisa ser feito da casa embora eu não consiga reagir.
eu preciso de tempo pra mim.
e preciso de tempo pras pessoas que eu quero ver.
eu preciso de tempo e energia pra acarinhar dudu, pra que ele não se angustie ou frustre mais.

eu sinto sufocar outra vez.
eu sinto todo o peso de tudo sob os meus ombros.
eu sinto culpa por precisar escapar.
eu sinto culpa porque eu simplesmente preciso me desligar pra aguentar tudo que eu preciso.

não vejo luz no final do túnel.
não vejo solução que não viver tudo isso de forma absolutamente intensa e ansiosa
se eu não tomo as rédeas e não faço todas as decisões difíceis e rápido, ninguém faz.
sinto toda a responsabilidade de tudo caindo sobre mim.
não sinto que o dudu está pronto pra dividir as responsabilidades do antes.

acho que durante a viagem talvez ele consiga assumir um pouco mais as rédeas.
o fato dele ser mto mais curioso vai fazer com que ele sugira os lugares, pesquise as opções, traga soluções novas.
mas agora, na hora de ser prático, na hora de colocar a mão na massa e estruturar tudo isso, parece que ele não consegue.
ele não consegue se organizar.
e eu sinto que tudo tem que ser resolvido por mim, única e exclusivamente.

fico repassando em loop na minha cabeça todas as coisas que precisamos.
sinto que elas só andam se eu liderar.
se eu não falar ou fizer algo, nada vai ser feito.

isso me dá dor no corpo, meu coração acelera muito mto forte. perco um pouco o ar.


amanhã eu gostaria de fazer muitas coisas:
fechar em malas tudo que vai pra van.
fotografar tudo que não vai pra van e colocar pra vender em todos os lugares,
comprar tudo que já está na lista.
fazer a reunião da haydee. mas antes fazer o modelo do que eu quero apresentar.
acabar de subir todos os posts da tali.
falar com a menina do consignment.
fazer o invoice pra taci. mandar. pegar o dinheiro.
entender até aonde andré vai me ajudar e começar a fazer acontecer.
fazer tudo que precisa ser feito pra laís.
cobrar palo e eduardo. ou focar em novos clientes. fechar clientes.

devem ter mais seiscentas coisas.
mas agora me lembro dessas.
achei que listando melhoraria.
achei que isso faria ser melhor.
mas não.
meu coração segue acelerado.
minha ansiedade segue a milhão.
justamente por perceber que tudo isso depende de mim.
não sei quantas dessas missões o dudu vai ser capaz de fazer.
muito menos se eu não explicar tim fim por tim tim do que deve ser feito.

sinto como sendo tudo simples o suficiente pra me irritar eu ter que fazer,
e complexo demais pro dudu entender sozinho o que precisa ser feito sem eu explicar.

eu não quero voltar pra esse lugar que eu tenho toda a responsabilidade em mim.
isso é péssimo pra mim. e pior ainda pra gente.
me deixa em completo estado de pânico,
deixa ele em estado de conforto, mas um conforto desconfortável que nem ele sabe pq sentes
deixa a nossa relação naquele lugar ruim e de desgaste de antes da pandemia.
um lugar que desmasculiniza ele. que me coloca no centro de todas as coisas.
pqp. que inferno que é estar nesse lugar.

pq agora ele está dormindo. tranquilo.
como se tudo que houvesse por fazer não estivesse nos ombros dele, ele dorme e sua respiração ressoa.
e eu to aqui, dormindo mal mais uma noite.
queria um chá.
me sinto tão assoberbada que não tenho forças pra levantar e fazer um chá.
ou talvez eu até tenha forças, mas não tenha mesmo vontade.

que merda.
todas as vontades que eu tenho são sempre de suprir as necessidades dos outros e de outros.
o resto eu vou deixando.

preciso separar as coisas de banheiro.
preciso separar as minhas maquiagens.
preciso falar com a taci do pé do sofá.
preciso pegar as panelas em weston.

preciso de tanta coisa feita.
mas eu não queria - e nem sei se eu posso - ser a única responsável por todas elas.
então amanhã eu vou acordar e passar uma lista de missões pro dudu.








sexta-feira, 5 de junho de 2020

carta pra wendy

não entendi até agora o que aconteceu.
não entendi porque você escolheu me colocar na berlinda de maneira tão irresponsável.
não entendi porque você não quis em momento nenhum ouvir o que eu tinha pra falar.
não entendi porque você me bloqueou de tudo me deixando sem a chance de conversar.

eu entendi o que você ganhou:
visibilidade.
e afinal de contas não era isso que eu queria quando eu falei ali de você?
então, por um lado, eu entendo sim porque você fez.
e isso me deixa feliz.

mas assim?
a esse custo?
mesmo sabendo de como isso podia afetar a minha saúde mental?
isso é falta de caráter.

tivesse você dito pra mim: "eu nunca viralizei dessa forma. eu nunca fui tão celebrado no twitter. eu tava precisando desse afago, de apoio, sobretudo nesse momento", eu entendia.
mas você não se preocupou nem uma gota com a consequência.

claro que você não pensou em mim quando você se sentiu usado. isso é natural - o mundo numa tensão absurda. os nervos à flor da pele. você e todo a gente preta vivendo as emoções mais profundas e complexas: medo, revolta, liberdade, ansiedade, coragem. esse e tantos outros sentimentos que eu não sou sequer capaz de reconhecer, quiçá de sentir.

mas você optou por continuar hitando, mesmo depois de saber.
mais do que isso, você optou por tentar me calar.
e a todas as outras pessoas que tentaram falar contra o que você fez. inclusive pessoas pretas.

e, acredita em mim, eu nunca vou saber o quanto é sofrido nascer preto e ser calado todos os dias. e ser colocado em cheque todos os dias. em ter que provar a inocência todos os dias. em ter que se justificar por tudo todos os dias.
nunca.
porque eu nasci branca.
mas quando aconteceu tudo que aconteceu, de alguma forma, e do meu modo, eu senti essas sensações todas por um dia.
e é uma merda.
é uma foda do caralho sentir qualquer uma delas, ainda que seja por um minuto, ainda que seja por um dia. deve ser insportável sentí-las toda uma vida. e eu sinto muito mesmo que você sinta essa sensação todos os dias.

e eu não tenho certeza, mas imagino que você as sinta, porque você é preto. e o mundo é racista.
porque eu nasci branca e eu sou racista.

mas porque eu reconheço isso em mim, eu estou há anos lutando dia após dia pra me desconstruir.
pra me desamarrar.
não só na luta anti racista.
eu todo dia to lutando pra aprender a usar o meu privilégio pra colocar luz nas causas que eu acredito e ajudar e ir quebrando aos pouquinhos as amarras dos outros.

e sabe o que?
não importa pra quantas pessoas eu fale - porque ainda que fosse pra uma pessoa, faria.
eu tenho tido muito sucesso nisso.
várias mulheres me escrevem dizendo o quanto meu livro mudou a vida e a visão de mundo delas. várias pessoas me escrevem, por eu colocar em pauta causas e levantar perguntas difíceis demais de responder, dizendo o quanto foi importante aquela reflexão na desconstrução dos preconceitos dela.

e só por isso eu me sinto com sucesso.
e o sucesso é muito bom.
e eu, de coração, te desejo todo o sucesso do mundo.

mas, infelizmente, eu sei, e você sabe também que toda vez que você se sentir tendo sucesso, você vai se lembrar que você carrega essa terrível mácula.
a de ter arruinado a saúde de uma pessoa, a de ter arruinado os últimos 8 meses de tratamento.

porque foi exatamente isso que aconteceu.
você imagina o que é ter mais de 30 mil pessoas te enviando energia de ódio ao mesmo tempo?
30 mil pessoas que estão passando por uma pandemia, uma crise política insana, uma guerra anti racista, e seus próprios bichos, medos e inseguranças.
você imagina o que é receber toda a descarga dos ânimos de todas essas pessoas que estão vivendo tantas dores?
você imagina passar por tudo isso quando se tem depressão?

tá insuportável.
são 3 da manhã e eu to acordada. tem dois dias que eu não durmo.
eu não sei mais contar quantas crises de ansiedade eu tive desde então.

sabe isso? de que eu nunca vou ser capaz de entender como é ser negro?
é verdade.
mas eu entendo de ser mulher.
e por ser mulher, eu entendo de culpa.
mulher é bicho que nasceu pra ter culpa.

você imagina quatas vezes eu me perguntei o que eu errei?
o que eu fiz que eu podia ter feito diferente?
o que eu tenho que fazer de diferente?
você imagina a culpa que eu sinto quando eu pesno que eu não tinha o direito de me defender porque não era a hora pra isso? porque não deveria ser sobre mim?
ou a culpa que eu tenho de estar com a energia tão drenada que há dois dias eu não consigo lutar, por nada?

e a culpa causa coisas horríveis na gente.
a culpa, ela domina o nosso coração aos poucos.
e eu sei que daqui a pouco, ou talvez agora você já esteja sentindo, ela vem te visitar.
ela vai te rondar nos seus momentos tristes e felizes.

eu sei que você vai sentir culpa por ter me colocado no buraco mais profundo da depressão desde que meu tratamento começou.
e sabe o que? é pra você sentir mesmo.
porque se não fosse eu sequer estaria te escrevendo.

não é porque você é preto e passa a vida inteira passando por coisas horríveis que eu vou te proteger por fazer uma coisa igualmente horrível.
não se brinca com a saúde mental das pessoas.
isso é, bem como o racismo, irresponsável e assassino.


quinta-feira, 7 de maio de 2020

quarantine routine

doesn't exist.
isso non ecziste.

***

talvez haja sim uma forma de você ter uma rotina na quarentena.
eu só não encontrei ainda a minha.

quer dizer.
no início eu tinha uma rotina intensa de sexo.
depois eu pulei pra uma rotina intensa de letras.
depois, uma rotina intensa de divulgação das letras.
depois maconha. depois. depois. depois.

o negócio é que quando a gente cai na rotina eu perco o tesão.
tudo que é muito intenso pra mim é muito intenso por um tempo, mas não dura pra eternidade.

hoje eu consegui acordar 7am.
eu queria mesmo acordar 5:30.
mas 7 tá lindo. o sol tá nascendo. a luz ta entrando na casa (que está um caos completo e absoluto).
mas eu vou dar um gás no livro.
tomar meu café.
e depois eu penso na casa.

uma coisa de cada vez.

nosso rítmo.