terça-feira, 27 de agosto de 2019

milhões de posts num dia só

sim, eu sei.
não posto há quase um ano e ai do nada venho aqui em pleno agosto tentar recuperar o tempo perdido.

tem disso esse blog. rompantes.

é que tem hora que é aqui, tem hora que é na caneta. esse notebook novo é uma delícia. eu amo as teclas, amo o peso, amo como meu dedo desliza sobre ele.

e ontem escrevi pro site da ara um texto sobre key lime pie, e meu pai, e key west. e ai senti essa delicia que é vomitar coisas e sentimentos num teclado gostoso.

acho que esses muitos anos de macs - que por melhores que sejam tem sempre faltando esse toque dos dedos tão afetuoso - me fizeram esquecer essa sensação (eu odeio esquecer sensações, por isso escrevi sobre essa coisa do óculos também).

que bom que de todo modo eu precisei escrever aquilo, e me lembrei de escrever aqui  e me deu essa vontade gostosa de voltar às palavras.

***

é tão interessante o quanto essas coisas de escrever marcam minha épocas, minhas experiências, minhas vivências e meus desejos.

eu já entendi, por a + b, que escrever é o meu primeiro ato de reencontro quando eu estou longe de mim; é também o primeiro ato de construção quando eu começo a sentir a necessidade de fazer coisas novas e criativas.

***

falando sobre coisas criativas então.

os últimos episódios de "ara creative ideas, uma agencia do barulho" tem andado cultivando um ambiente gostoso de criatividade, liberdade - e um certo excesso de sentir que eu preciso controlar. não no sentir, mas no externalizar.

anyway. esse ambiente tem, de uma certa maneira, me feito repensar nas minhas necessidades criativas e nos meus desejos de tirar mais coisas do papel - mais coisas minhas, mais coisas que são, de verdade e em essência, criativas.

eu ando buscando, muito, por algo assim. por algo leve, gostoso, com energia de criação, de fazer. por isso quero tanto fazer o LAB. por isso falo tanto com tanta gente, troco tanta ideia. e é tão disso que eu gosto. desse construir, desse trocar, desse aprender.

sinto que meu casamento me nutre demais de informações importantes, relevantes, construtivas. ser casada com alguém tão criativo e mágico quanto o dudu tem uma das maiores vantagens que eu pintaria numa relação feliz: aprendizado constante.

a gente troca tanto, sobre tudo - as vezes com mais calor que deveria, de minha parte? sem dúvida. mas eu não nasci filha do meu pai pra deixar o sangue esquentar e ficar fria. isso seria no mínimo muito estranho.

as trocas. no caso. sempre são gostosas, e mesmo eu sentindo que na hora eu não falo de volta tudo que eu to sentindo ou achando (porque eu preciso desse tempo para processar) eu ganho tanto que depois meu cérebrinho vai fazendo as sinapses. na hora certa, no lugar certo. a conversa que veio de lá surge de novo acolá. é numa reunião, num papo com alguém novo, num cliente potencial que pergunta o que eu acho de certa coisa. é impressionante o como todas as vezes que eu volto às nossas conversas eu sinto ele ali juntinho, vibrando comigo nas minhas conquistas.



***

ontem eu me chateei porque eu disse que ele nao pira nas minhas piras comigo como eu piro nas dele. porque eu fui falar do LAB e ele jogou logo um banho de água fria. porque o timinig não deveria ser esse, blablablá.

me chateou muito. porque ele vem com as ideias mais mirabolantes sempre e eu sou sempre a primeira a pular de olho fechado pra no caminho entender. e ele sempre diz todos os nãos antes de pegar na minha mão pra ir junto.

isso me chateia de verdade.

mas eu sei que eu fui injusta quando eu disse que ele não me apoia. ele sempre me apoia. é que demora. não é aquele apoio ali na hora, SIM BORA VAMO. ele sempre precisa pensar e refletir. então primeiro ele diz não. mas é que cansa ele sempre dizer não. eu gosto de quem fala "bora vamo!". eu pedi pra ele pra gente ir pra disney esse fim de semana. primeiro ele disse não. depois ele disse: esse fds não da porque os meninos vão viajar e temos que cuidar de pastrami e lulinha. ok. justo. boa desculpa. eu aceitei, na hora. mas se ele tivesse dito: boa vamo. e depois, putz amor, lembrei que temos que ficar porque isso, isso e aquilo (...) - eu teria sem dúvida me sentido mais apoiada.

mas não é como se ele não me apoiasse. eu sei que ele me apoia mesmo, de verdade, em tudo que importa. algumas vezes até demais no que nem importa tanto assim, e ele fica lá, insistindo... hehe isso é tão o dudu, e é tão lindo isso nele. o jeito que ele acredita numas coisas que eu nem lembro mais que um dia eu acreditei.

enfim. coisas pra deixar registrado pra luisa do futuro: o quanto eu amo esse jeito dele de me fazer acreditar em coisas minhas que eu nem lembro mais que eu quero, ou gosto. esse jeito dele de me lembrar coisas boas de mim.


***

a gente tem dessas né? de esquecer de como se é bom em algo. ou como a gente pode ser fiel a gente mesmo, mesmo quando parece que vai ser impossível dessa vez.

eu acredito muito mais em mim. MUITO MAIS. eu sei hoje que eu posso qualquer coisa. mesmo.

sobretudo se eu escrever.

agora eu uso óculos

não exatamente agora só. o dia todo. 24 horas por dia. o tempo todo. sem parar.

***

há menos de um ano eu comecei a me incomodar de dores de cabeça, dificuldade de ler de longe - qualque coisa pouquinha. daquelas de quem fez 30 e precisa aceitar isso de peito aberto.

acontece que de 0.75 há uns 8 meses meu grau dobrou pra 1.5, um numero chato - desses que se eu não tivesse ido até o banheiro pra achar esse óculos eu jamais conseguiria estar aqui digitando.

jamais é talvez excesso de drama.mas sem dúvida ia ser ainda pior.

porque nessa coisa toda, o que de fato me incomoda é que nem de óculos tá bom. meu olho ta sempre embaçado, sempre coçando, sempre irritado, sempre ardendo. mesmo de óculos eu preciso trazer as coisas mais perto pra conseguir ver bem.

not good at all.

***

eu na verdade só quis fazer esse post porque daqui uns muitos anos, se eu parar pra reler essa besteirada (e eu vou, eu sei bem. se eu tiver viva, no caso) eu vou lembrar de como foi irritante essa fase de adaptação do óculos. e é uma dessas frivolidades que se a gente não escreve depois a gente não consegue se lembrar de forma clara. e eu gostaria de lembrar disso para comparar com o desfecho.

como caralhos eu vou resolver esse problema? no clue.
a vontade que dá é de ir ao brasil para ir num bendito de um oftalmologista decente.

tá foda.

o brasileiro perdeu a fé depois daquele 7x1

a culpa do bolsonaro ser presidente é toda do neymar.

pequenas frustrações de 2019

o bolsonaro
a eleição do bolsonaro
o brasil ser comandado por um saco de estrume
as pessoas que ainda não perceberam (EM AGOSTO) o tamanho do problema
as pessoas que não tinham percebido o tamanho do problema em outubro passado e causaram esse nivel de problema
a amazonia em chamas
a morte da fernanda young
a falta de ar
a gripe
a minha falta de ar
a falta de ar no mundo
a falta de floresta no mundo
o excesso de gente imbecil que cruza meu caminho
a sensação horrorosa de perceber que alguém é bolsominion
ou que pelo menos acha que "não tinha opção. não dava pra votar no petê"
minha carteirinha de maconha vencida
a prisão do jeff
o meu enjoo de hoje de manhã
a vontade de ter um filho versus o pânico de colocar alguém nesse mundo sujo
essa casa que ainda não é minha
o sofá que eu ainda não comprei
as cadeiras que estão faltando
o mau humor do pastrami antes de dormir
o jeito como o meu tesão de cozinhar anda se esvaindo
o fato de que eu ando de novo viciada em coca cola
a saudade que eu sinto da minha mãe
a vontade que eu não tenho de receber ninguém aqui em casa pq da muito trabalho
a falta de dinheiro como eu acho que deveria ter a esse momento
o meu armário todo desfalcado
o resultado dos desmandos politicos de gente nojenta que mata gente todo dia
nas favelas
nas casas
nos morros
nas escolas
nos lugares todos onde os pobres se ajuntam
o witzel
a existência desse cara nojento
o 01
o 02
o 03
a micheque
o salles
o weintraub
eu saber o nome desse tipo de gentinha e nao tirar elas da cabeça
os meus sonhos em piscinas infinitas não realizados
o dia a dia cansativo depois de noites de insônia
estar sem óleo de maconha
estar sem carro
ter batido de carro
ter quabrado o braço da sarinha
ter que pagar a conta do carro e do braço quebrado da sarinha e sei la do que mais
a confusão toda que eu sempre me enfio e depois não sei como sair
as promessas não cumpridas
os projetos não realizados
a falta de tempo
a falta de inspiração
a falta de saco
a falta de tesão


argh. q ano merda. é um 7x1 todo dia.

2020 batendo na porta

vai entender uma pessoa que passa quase um ano sem colocar as mãos por aqui.
depois não sabe porque que tudo tá um caos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

pequenos confortos

o insônia é um blog que não muda de layout há milênios (e eu duvido muito que um dia mude de novo). e ele é um porto seguro virtual porque de alguma forma eu sinto que olhar para ele é olhar para mim.

mas mais que o layout externo do blog, para quem lê - a blogspot manteve por todos esses anos uma identidade, se não igual, muito parecida. e isso também dá um certo conforto.

vir aqui escrever e ver essa mesma fonte, imaginá-la já lá publicada - não que eu fique imaginando muito, no caso, mas é que ao fechar os olhos eu vejo lá pronto - eu me retorno a mim.

o blog é de 2009. em alguns meses ele completa 10 anos. e quando eu olho para mim eu tento entender quanto de mim é luisa, quanto de mim é a antiga luisa, quanto de mim é uma nova luisa. quanto mudou, quanto está sempre mudando, quanto fica.

não sei se sei o que quero dizer com isso. ou sei. é o que eu escrevi no titulo. isso me conforta. voltar a mim, a um lugar seguro que pra mim é como se fosse a extensão da minha casa. escrever nesse blog é como voltar aos meus 20 anos, é mais anterior até a isso - porque escrever me da a sensação de mim, mesmo quando eu tinha 13, 14 anos.

escrever nesse blog é como visitar as minhas antigas coisas. meu quarto, minha luz, meu edredom, minhas roupas, minhas conversas no msn, minhas músicas baixadas com tanto sacrifício no kazaa. e ao mesmo tempo, é encontrar a mulher que foi se construindo nesse caminho.

e se orgulhar dela. pqe, olha, se tem uma coisa que eu posso dizer com certeza é que eu me orgulho para caramba da mulher que eu sou. e claro, que tudo pqe eu fui criada pelas pessoas mais incentivadoras da liberdade desse mundo, que me deram todo o carinho, me encheram de afeto, e que me permitiram ser livre - verdadeiramente livre.


quando eu converso sobre liberdade de ser com alguém eu sinto sempre um problema. se é homem, pra ele a liberdade é tão óbvia, que não toca profundamente. se é mulher, dificilmente é livre como eu - se é, conto nos dedos. e por isso eu amo tanto tanto giovanna e ana clara, pqe eu acho que elas sim são livres. mas até mesmo quando eu olho para elas eu vejo suas amarras. mesmo elas. mesmo eu.

e eu penso o quanto essas amarras são poucas perto das tantas outras que eu vejo ao redor, nas pessoas que eu amo tanto (mas que, infelizmente, admiro menos). mas que ainda assim precisam ser quebradas.

eu não quero ter uma filha um dia que seja qualquer coisa menos que o mesmo que me desejou papai quando eu nasci: livre.

7x1 brasil e brasil

essa semana foi o segundo turno da eleição para presidente no brasil. o maior asno em formato de ser humano se elegeu com 55% dos votos válidos.

(eu digo que quero falar de uma coisa de cada vez, mas na verdade tudo me traz tantos sentimentos diferentes que é difícil fazer tudo de uma forma cronológica)

foram muito meses de estresse, ansiedade, dor, estafa, brigas, discussões, gritos, choro.

quando eu me lembro que há uns dois anos, mais ou menos, quando se aventava a possibilidade de termos um presidente como o bolsonaro, isso era o maior motivo de piada do planeta. mas ai veio o trump (o maior motivo de piada do planeta) provar que os analfabetos políticos são maioria e que gente ruim existe aos baldes por ai pelo mundo.

aquilo ali me acendeu uma luz vermelha. medo.

eu estava morando num país comandado por um dos piores homens de quem já se ouviu falar - e a maldade se espalha numa velocidade impressionante. minha tia (a minha tia, que eu tanto amo e me orgulhei a vida toda) estava votando nesse cara - fosse por total falta de conhecimento político, fosse por que nao reconhece os privilegios que tem e teve durante a vida - e aquilo ali me doia como uma faca enfiando no peito.

na mesma época teve a eleição no rio, para governador, e ganhou o crivella (o maior motivo de piada gospel do planeta, até então). e a anna - tia do dudu, que eu sempre fui tao apaixonada, tao grata, alguém que fez por mim coisas inimagináveis de amor - votou nele - fosse por total falta de conhecimento político, fosse pqe nao reconhece seus privilégios.

aqueles dois votos me assustaram muito. eles me alertavam pro que viria, mas não foi o suficiente pra me preparar. não o suficiente para me fazer desacreditar.

e eu passei os últimos meses berrando, me estapeando, subindo nos sapatos, surtanto, para tentar evitar o óbvio. não consegui. e essa frustração toda é muito foda. pq ela mina muito as minhas energias, suga tudo que há em mim de mais poderoso - a minha energia de amor vital.

agora que acabou eu sinto um pouco de tudo. tristeza, decepção, dor. mas ao mesmo tempo vejo luta e me sinto parte de resistência. e por me sentir parte de algo, tudo isso é mais forte. e também mais dolorido.
o acabar é bom, porque alivia. pqe finalmente o excesso de estresse dá um descanso. por outro lado, é como se eu tivesse quase um vazio - agora as pessoas não se importam mais em bater boca. e eu fico aqui, órfã da angustia - e isso segue me angustiando.
e acho que para eu entender isso me custou muitos anos de auto sabotagem/auto analise e um pouquinho de terapia mais milhares de conversas com o dudu sobre pertencimento e orfãndade (é assim que se escreve essa palavra? se escreve essa palavra?)


to aqui, fumando o meu beck, tomando o meu golden milk e escrevendo - combo anti-insônia maior que eu conheço na vida - e torcendo para de alguma maneira meu sono voltar.

são milhares de sessões de terapia, e mesmo assim sinto como se tivesse um mundo dentro de mim de sentimentos para falar - e um outro mundo de sentimentos falados desorganizados desconexos.

sobre tudo isso de política (que na verdade de política tem o mesmo tanto que existir): eu sempre serei um ser ansioso, justo, franco, direto. eu sempre vou debater, eu sempre vou dizer, eu sempre vou mostrar os porquês.
eu também sempre vou transformar isso tudo em ansiedade e toda a ansiedade em insônia.

só que eu não posso, pqe assim eu não produzo e se eu não produzir, as contas não irão se pagar sozinhas. simples assim.

então, conclusão desse nada/resumo: está tudo uma bagunça, o mundo está do avesso. o brasil terá seu pior presidente de todos os tempos, os EUA já está tendo o seu. mas a história mostra que isso tudo faz parte - que a história é elástica como um estilingue, e que para dar um salto à frente precisa de um movimento para trás. é o conservadorismo queimando suas últimas fagulhas. são as últimas forças dos imbecis.

que seja. que sejam. e que a gente pague esse pato. porque somos uma sociedade imunda e doente que não se ama, não se respeita e não se liberta.
é inaceitável. mas é parte do jogo. e vamos continuar jogando, enquanto a gente pode.