sábado, 13 de março de 2021

a ultima casa alugada

tem um pouquinho mais de um mês que eu cheguei.

cheguei no estado de total esgotamento em relaçao à minha vida na van, e ao mesmo tempo em relaçao ao meu casamento.
mas, se é preciso abrir mão de um para salvar o outro, não há dúvidas de quais caminhos tomar.

rapidamente juntei meus panos de bunda, comprei uma passagem e voltei. sem casa, sem grana, sem lenço sem documento. e to aqui, dia após dia, encontrando saídas e jeitos novos de me reinventar. nao ta facil. nunca é fácil. mas dessa vez vai.

vai pqe dessa vez eu entendi que eu só vou conseguir ter uma vida tranquila quando eu tiver tranquila de grana. e agora, por mais duro e "capitalista" que seja assumir isso, é isso que eu quero e é atrás disso que eu vou correr atrás.

esse sonho lindo de morar numa van e viver com muito pouco pode ate funcionar para muita gente; mas pra mim esbarra em questões muito complexas. eu ainda não me realizei profissionalmente e eu sinto que a hora de fazer isso é agora; que eu nao quero e nao posso deixar esse momento passar.
e de mais a mais tem a carol, que jogou o tarot mais louco do mundo e me encheu de respostas que eu nem sabia que precisava perguntar.

nunca imaginei que um jogo de tarot pudesse mudar tanto a minha vida. "a van vai acabar logo". "vc vai ter uma casa, e as coisas vao andar pra onde vc quer quando vc tiver a sua casa". "vc vai ter o que voce deseja, e ter sucesso no que vc faz". "uma oportunidade vai aparecer e mudar tudo para vocë". "dudu ainda vai ser a sua pessoa----


opa.
é ai que a coisa ta embolando.
eu sei que ela disse que sem casa e sem grana a gente ia cotinuar em crise por um tempo ainda. e que assim que tudo se organizasse a gente ia se encontrar no meio do caminho.
mas ela tb disse pra ele que ele precisa tomar os caminhos que se abriram para ele.

e é justamente esse caminho que eu sinto que ele ainda nao conseguiu olhar com clareza.
hoje, eu sinto que a falta de comprometimento dele ainda o trava, ainda o impede de evoluir e de ir além.

mas eu sei que ele pode. eu acredito nele. eu amo ele. eu sinto muito por todas as coisas duras que eu faço e falo nas horas que eu sinto raiva.
mas eu não sei como controlar meu sentimento na hora da angustia, da ansiedade, do medo.
e eu culpo ele por estar ali. culpo ele pq eu culpo a falta de grana. e culpo a falta de grana pela falta de consciência.


eu só queria ter uma vida financeira estável e tranquila como a maioria das pessoas ao meu redor. não ficar nesse sufoco, q eu me enfiei, pq eu deixo os sonhos dele tomarem conta da nossa vida financeira.
eu culpo ele, e ai eu me culpo, pela minha fé. mas eu não devia culpar nenhum de nós. eu devia entender, e mudar.

mas eu juro que eu tento. eu tenho tentado.
mas eu não sinto que ele entendeu. eu não sinto que ele mudou.
eu sinto que ele, vez por outra, toma atitudes que mudam um pouco as coisas. mas é sempre na hora que eu saio do sério. é sempre quando eu perco as estribeiras. quando eu me descontrolo. quando eu saio do meu normal para dizer, aos berros, o que precisa ser feito.

ontem ele me disse que quando eu faço isso eu desestabilizo ele.
e é foda, mas eu sinto tanto o oposto. que quando eu faço isso é que ele toma atitudes concretas.

eu sinto que sem esses momentos de rompante ele vai deixando, e se enchendo de coisas e de desculpas, para não ser prático e resolver o que precisa ser resolvido.
eu falo com muito pesar quando eu digo que ele prefere comer uma caixa de sucrilhos uma semana do que dar um jeito de fazer dinheiro para poder comer fora.

eu sei que é lindo no papel "na riqueza e na pobreza". na prática, a falta de dinheiro me mata por dentro. pedacinho por pedacinho.

a ansiedade me domina, o medo me escandaliza. sorte a minha que eu não fico paralisada.
ele fica - num primeiro momento. mas ai logo depois ele anda. e ai a rotina e a cabeça dele vão paralisando ele de novo. é como se ele fosse congelando os músculos, e parando de perceber.

ai eu chego com as minhas reações exageradas que também não são nada saudáveis; e de alguma forma ele se mexe.
os dois unicos dias que ele foi procurar de fato algo na rua foram os dias que eu perdi a cabeça.
os trabalhos que ele tentou ou conseguiu vieram de outras pessoas. de mim, da mell, de algum lugar. ele nao consegue tomar a atitude por ele mesmo.

eu sei que ele precisa da minha mão. mas eu to esgotada demais, exausta demais, no limite demais, sofrendo demais. eu nao tenho nem pra mim, como eu vou ter pra ele?


eu preciso primeiro resolver a situação de grana que vem se extendendo agora por um tempo longo demais. antes de qualquer outra coisa, eu preciso das contas pagas, minhas dívidas pagas, minha vida em dia.


e o primeiro passo é a minha casa nova.

daqui a 3 horas eu vou entrar na casa nova.
com o pouco de coisas que eu tenho, com o pouco que sobrou, e vou fazer dela um lar.

vou fazer dela o lugar que eu preciso para recompor meus sonhos, meu trabalho, para fazer dinheiro e gastar pouco.

das muitas vantagens que ela tem, custa pouco e está perto de tudo. além disso, cabe pouca coisa dentro, embora com certeza seja bom o bastante para caber muito amor.
sei que o tempo vai acertar tudo. o tempo pro dudu ir pra orlando, a gente tentar essa vida longe um do outro -- e eu ja me pego pensando que ele ainda nao combinou onde vai ficar, e que com certeza esta esperando que eu faça isso. eu não vou fazer. eu preciso parar de fazer as coisas por ele ou ele nunca vai entender.

é muito triste a gente chegar nesse ponto - eu nao quero mais fazer nada pra ele, e ele nao quer fazer nada para mim. abrir um site por um segundo é motivo o bastante para ele apontar que segue "fazendo coisas pra mim". é insano.

a nossa relaçao acabou.
e a unica saida para ela é recomeçar.
mas hoje, o casamento acabou. nao existe parceria. eu nao tenho mais força para ser parceira. nem ele.

ou a gente vai reconstruir isso qdo a gente se vir longe e sentir falta, ou vao ficar as memorias das coisas boas e cada um seguir seu sonho.


muitos casais se separaram nessa quarentena. a gente se separou antes, se fortaleceu nela e se enfraqueceu bem quando tudo estava voltando a uma certa normalidade.
pqe as coisas com a gente nunca podem ser como no resto do mundo? rs.

eu adoro fazer tudo diferente.

mas eu to cansada.

eu so queria um pouco de normalidade.
eu queria relaxar um pouco, sem culpa. eu queria, por um dia, nao me preocupar em quanto dinheiro eu tenho e na urgencia de fazer mais para sobreviver.

eu preciso parar de pedir favor. eu me sinto pessima, para mim tudo doi.
e eu me afasto de quem me da amor e carinho pq ta tudo dificil demais.


mas eu sinto que isso tudo vai passar. e que pelo menos eu to consciente.

e, mais que consciente, eu to motivada.
agora eu tomo conta da minha vida, e quem quiser que me acompanhe.

eu nao vou mais esperar por ninguem.
eu quero que essa seja a ultima casa alugada da minha vida.

minha proxima casa vai ser MINHA.


***


e não tem nada que eu não me prometa que eu não cumpra.

pode escrever. minha proxima casa vai ser MINHA.
eu vou fazer acontecer.
e espero que ele esteja junto comigo nessa.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

auto sabotagem

 tava no telefone com a gigia ontem. as duas ali, tão presentes, tão reais e tão abertas para dizer tudo de maneira franca sem precisar dizer nada.

eu disse para ela que eu não consigo mais me considerar uma pessoa feliz. e ela também se sente assim. falta luz, falta sol. a energia de todo o planeta é tão carregada e insana que fica impossível a gente não andar por ai pesando mais que nossos 50 quilos. 

e ai conversa vai, conversa vem, eu disse "é como eu, com escrever. sei o tanto que me faz bem. sei o tanto que faz tudo mais claro. mas eu nunca o faço." ela disse: "é que a gente se auto sabota."

é bem isso mesmo.

a gente se auto sabota.

eu sei - e sempre sei - o que posso ou não fazer, o que devo ou não fazer, e, sobretudo, o que eu quero ou não fazer - e ainda assim muitas vezes eu deixo de escrever, de estar ao sol, de falar o que eu sinto, de dar amor ao dudu de forma incondicional -- e quando eu deixo de fazer tudo isso que me faz tão bem, eu vou para aquele lugar ruim de desamor, de culpa, de energia baixa.


agora, por exemplo, eu estou sentindo a energia baixar. mas é só da maconha. é só porque eu fumei demais. e misturei com cerveja.

mas ao mesmo tempo que baixa a energia, me faz vir escrever, me fez ir ler.


tava pensando como a minha mente criativa precisa de espaço temporal de relaxamento para aparecer. as últimas tantas vezes que eu tive relances de criatividade foi sempre qdo fases mto dificeis acabaram, entao eu tirei um grande descanso físico, e só então eu consegui produzir.

talvez seja mesmo a exaustão que sentimos, o mundo todo, como um todo.

***


só que não mais.

agora o presidente americano é joe biden, e a vice presidente americana é kamala harris.
e eu quero muito voltar a esse dia em um tempo e poder celebrá-lo mais e mais.

foi o fim de uma era assustadora, perigosa, bad vibe do caralho. espero que tenha sido também o fim da minha era mais bad vibe do caralho. espero que daqui pra frente eu viva em eterno estado de graça, para que eu consiga escrever, ir atras do sol,  fazer tudo aquilo que eu sei que me faz tão bem.

e que eu me lembre desse sentimento gostoso de estar chapadinha, bebadinha, nesse lindo quarto de hotel, em puerto vallarta, enquanto dudu canta no chuveiro e pastrami pestaneja na cama.

***


pqp. eu sou feliz para caralho. só existe esse momento e eu quero viver nele para o resto da minha vida.


 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

foco?

 tudo me atrai.

nem tudo me convém.


quase tudo me atrai.

quase nada me convém.


pouco me atrai.

eu sei bem o que me convém.


eu continuo sem saber o que eu quero.


***


se você me perguntar hoje qual é o grande problema profissional que eu vejo quando olho no espelho, vou ser categórica em dizer: quero demais.

quero focar em mil coisas e mil projetos ao mesmo tempo - e acabo não indo à cabo de nenhum deles.


vou deixando que a vida me encha de coisas demais até encher e transbordar o pote. vou acumulando tudo que eu quero, com tudo que eu sonho, com tudo que me convidam, com tudo que paga minhas contas, com tudo que passeia na minha cabeça.


claro que transborda.

uma hora tem que transbordar. não tem outro jeito.


FOCO.

é isso que me falta. decidir e me manter no plano.

porque tem dias que eu sei bem o que eu quero.

mas ai passa voando uma borboleta, e de repente eu já quero ser borboleta.

ou influenciadora, ou hippie, ou milionária, ou cheia de amigos ao redor, ou sozinha numa viagem de van com dudu e pastrami, ou numa casa imensa cheia de gadgets, ou plena numa casinha com uma horta orgânica, ou uma puta profissional mega respeitada, uma hora uma fdp que só faz qq coisa sem se estressar.


TODOS esses papeis me cabem bem. mas por pouco tempo. logo depois eu começo a olhar por cima da cerca e a grama do vizinho ta sempre tão verde. o sol bate mais forte, o chuveirão tem mais potência, e está num lugar que pega sol, ainda que cercado de plantas lindas, tem um churrasco delicioso rolando, peixinho, vinho branco, legumes na brasa, amigas gargalhando, corpos lindos, biquinis lindos -- eu me vejo ali, embasbacada, com tudo aquilo que eu não tenho, com tudo aquilo que eu quero, mas eu não tenho.


então eu começo um movimento para ir pra lá. eu não sei se o melhor é eu pedir pra entrar no churrasco, tocar a campainha, me apresentar, mostrar pq eu posso ser legal também; ou se eu faço o meu próprio churrasco, e chamo meus próprios amigos. mas ai eu preciso organizar tudo, micro manage tudo. tudo tanto que me cansa só de pensar. ai me da uma desanimada.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

dudu

essa belezinha de menino com quem eu tenho o imenso delicioso prazer de dividir a vida.
ele fica ainda mais gostoso quando ele ta leve, quando ele sorri, quando ele dança, quando ele me leva na brincadeira, quando ele se leva na brincadeira. e quando ele ta cabeludo, bigodudo e magrelo.

eu sou muito apaixonada.
eu só preciso me apaixonar todo dia, e tudo fica bem <3

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

mais um post de fim de ano

eu ia começar relendo meu post de fim de ano do ano passado. mas na hora que eu abri ele eu lembrei (pelo título e não pela minha impressionante memória, obvio) que eu estava na casa dos meninos no ano passado.
e ai isso de cara já me levou para diversos e loucos sentimentos.

lembrei da paz que foi estar lá no ano passado. ter uma casa casa, cheia de verde, de mato, de verdade. os dias leves. acho que foi a última vez (sem contar os primeiros meses de quarentena, onde tudo aconteceu sem o meu controle) que eu consegui de fato me desligar e estar presente.

lembro daquele sentimento de ver os dias passando devagar. dos becks na rede, das manhãs de café e conversas, com dudu e emilinha.
lembro de como gabriel estava presente na minha vida também. de como era gostoso sumir por umas horinhas para estar com ele. era leve, fácil, gostoso.

mas apesar de toda a delícia desse tempo, lembrar que eu estava lá me fez lembrar também de como era a vida quando eu era amiga de erick (e eu nem sei como eu me sinto em relação a henrique, nessa história toda, pq eu o amo profundamente, mas infelizmente a vida nos separou).
pensando bem eu também amo erick profundamente, aquele erick, que eu conheci quando ele chegou em miami e que se transformou na minha pessoa favorita para quase tudo na vida.

infelizmente aquele erick não existe mais. a pessoa que eu conheci se transformou numa pessoa que eu não conheço. e essa pessoa que eu não conheço não me ama mais. não sabe mais quem eu sou. se confundiu nas suas próprias loucuras, se perdeu na sua própria complexidade.
em algum momento (e não fui eu quem disse isso - pqe até outro dia eu me negava a acreditar - foi o tarot), ele passou a não desejar mais o meu sucesso. ele passou a viver a minha vida de forma tão intensa e absoluta que ele não conseguia mais se distanciar dos sentimentos de inveja, ciúmes, ou seja lá o que for.
aquela pessoa maravilhosa, que torcia por mim e queria me ver feliz, passou a me detestar, a me invejar, a achar que pra mim tudo vinha fácil e que caia do céu, que todo mundo era condescendente demais comigo, paciente demais comigo, que abria excessões demais pra mim - e isso fez ele não me suportar. a minha existência, a minha presença, era uma lembrança constante de tudo aquilo que ele não conseguia fazer - ser amado, ser aceito, ser acariciado.

ele se tornou alguém tão rígido na sua ética que ele esqueceu que existe uma vida real, fora dos livros, fora da cabeça. uma vida onde as pessoas trafegam, pagam contas, precisam trabalhar, se relacionar, sentir e viver.

coitado. eu sinto muito mesmo por ele.
sinto porque eu sei que no fundo tudo que ele queria era sentir-se amado, desejado, acariciado, querido.

mas por outro lado, me chateia muito pensar que eu sempre fui aquela pessoa que o amei, acariciei, e sempre o quis por perto, sem me importar com o nível da loucura.
quantas e quantas vezes eu ouvi das pessoas que ele me manipulava, que ele era "maluco demais", que essa ética que o move é irreal num mundo real onde as pessoas precisam sobreviver.
e quantas vezes eu neguei os meus amigos que tentavam me alertar?
assim como continuei negando, mesmo depois dele me apunhalar pelas costas - não uma, mas três vezes.

eu justifiquei tudo. sempre.
"ele fez pro bem do dudu"
"ele fez pro meu bem"
"ele fez pq ele não está bem"

mas a verdade - que todo mundo me disse e que o tarot finalmente me fez acreditar (embora eu esteja aqui pensando se eu de fato acredito ou se eu só quero dizer que acredito pqe eu preciso ser forte para suportar não tê-lo por perto) - é que já há muito tempo ele não me amava, ou me admirava.
e mais - ele desejava ter o que eu tinha. 

***

enough desse assunto. eu precisava escrever para tentar tirar de mim, mas a verdade é que cada vez que eu volto a ele meu coração doi, se aperta, pqe eu penso na loucura que é a pessoa que eu mais confiava nesse mundo não me conhecer e não me amar como eu merecia.

tá ai. eu não tenho tudo que eu quero - meu melhor amigo não é sequer meu amigo.
e talvez não seja mesmo para me punir, pqe a raiva que ele sente da minha felicidade é tanta que ele me tirou uma das coisas mais caras que existia nesse mundo para mim só para me castigar.

***

quando eu penso em "pqe eu mereço ser castigada" eu não consigo encontrar os motivos.

talvez eu seja muito auto centrada, e na minha narrativa eu to sempre sempre sempre abrindo mão de mim pelos outros, mas sempre sempre sempre também correndo atrás do que eu quero, se isso não magoar quem eu amo.

de todo modo, quero realmente mudar de assunto. quero falar de 2020, o ano mais louco das nossas vidas.

por causa da boca grande do bonito supracitado meu casamento quase foi para as cucuias, mas como esse homi que divide a vida comigo é a pessoa mais especial do planeta todo, a gente se organizou e encontrou um lugar de paz e amor pra gente - e é desse lugar que estamos falando agora. e é desse jeito que estamos acabando o ano. nos amando ainda mais que ontem.

não foi fácil. foram muitas experiências insanas, loucas, histórias que eu talvez nem consiga contar em tantos detalhes, tamanho o número de detalhes.

esse ano eu amei, me apaixonei, conheci gente maravilhosa que eu quero que esteja na minha vida pra sempre, fiz amigos que levarei comigo por onde eu passar, me aproximei de pessoas que quero estar pra sempre bem juntinho.
esse foi um ano que - apesar da loucura do corona virus - eu vivi de maneira potente, intensa, forte e verdadeira.
eu senti tudo até o último fio de cabelo.

se eu começar a listar essas pessoas aqui eu talvez esqueça de alguém. e não queria cair nessa besteira. mas a verdade é que quando eu olho ao redor eu só posso agradecer.

desss novas pessoas que eu vou levar pra sempre agradeço por fred e keyla, marcelo e carol, rodrigo, mike, mafe (nossa, parece que mafe ta na minha vida desde sempre!), scott e kim, em & clay, kiara & patriquinho da cuíca, lance... ai caceta. tem muito mais gente incrível, mas esses foram os que eu vivi de forma mais intensa e próxima.

e eu preciso ser devidamente grata também aos ciclos fechados. não só o do erick, e os de trabalho que não me satisfaziam, e de uma vida na cidade que naquele momento não estava me cabendo, mas sobretudo da minha relação zero saudável com rafael.
essa sanha que passou. essa angústia horrorosa que aquela relação louca me causava e me fazia sentir.

isso sem contar na gratidão que sinto por tudo que conheci e aprendi. por tudo que eu vivi e que foi absolutamente delicioso e inesperado.
por ter conhecido lugares tão incríveis e mágicos que eu sou incapaz de dizer. o tugaloo, o colorado, o utah, joshua tree, a baja california...

nossa, quando eu olho para trás e eu vejo o quanto aquela menina fumando um na rede há um ano atrás aprendeu, o quanto ela viveu, eu quase esqueço quão caro foi viver tudo isso. quão dolorido foi crescer, quão sofrido foi sentir aquilo tudo.

e eu sou muito muito muito muito grata àquela menina, que sempre tão cheia de sonhos consegue tirar do papel as ideias mais malucas. e também ao menino maluco que pula (não de cabeça, eu sei. mas molhando os pézinhos na beira da piscina antes) nas minhas maluquices. esse menino é meu melhor amigo, meu parceiro de vida, minha pessoa favorita no mundo todo. meu confidente, que me faz feliz, confiante, segura e pronta para encarar tudo que vem.

***

agora sinto que é hora de reler o que eu escrevi no ano passo (quem sabe também nos anos passados!).

***

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planos para 2020

ter uma van :)
viajar o país
estar mais conectada comigo, com meu eu, meu corpo, meu sexo, meu tempo.

***

hahaha. acho que eu consegui, huh?

se isso não é ter sucesso, me diga aí - o que é?!

que incrível. que delícia. que sensação de dever cumprido.
que maravilhosa a felicidade de sentir que o que eu quis pra mim eu realizei, e que o que eu realizei é exatamente o que eu precisava nesse ano.

o que 2020 me ensinou é que eu tenho tudo que preciso.
e que mesmo quando parece que alguma coisa não vai se resolver, vem a vida e TCHARAM! coloca tudo no lugar onde tudo deve estar.

***

vamos então aos planos de 2021:

eu diria que eu quero mais calma (o meu tempo em 2020 foi para construir. em 21 eu quero usufruir);
eu quero menos perrengue com grana, menos drama, mais abundância;
quero voltar a me perceber como uma profissional foda e admirável, que é não só reconhecida por isso, mas também valorizada por isso.

quero reconstruir minha carreira e fazer ela brilhar.
quero poder ser o suporte que falta para que o dudu reconstrua também a dele. e BRILHE. muito. muito.
que ele se sinta amado, especial e incrível como ele é.
quero poder seguir amando muito e quem eu quiser, quando e como eu achar que eu devo.

e tá bom né?!

ah! não seria também nada mal continuar amando meu corpo, estando em paz com ele, alimentando ele daquilo que ele precisa: alegria, comida boa, energia alta, astral, movimentos, descobertas e saúde pra dar e vender.

***

e no final do ano que vem eu volto aqui pra contar que tudo se realizou outra vez :)





sexta-feira, 2 de outubro de 2020

a while, but not really

hoje é dia primeiro de outubro. ou dois. acho que dois.
isso, dois.

acabou de passar aqui do lado uma renca de crianças. eles devem ter un 5 anos em média.
todos de calça, casaquinho e galocha. com varas de pescar, tênis que piscam, e ume energia infinita.
me lembraram muito de mim e dos meus primos, quando a gente se juntava na fazenda para as férias de julho.

me lembraram de uma época e um lugar em que nada era problema.
pelo menos não pra gente.

lembrei daqueles adultos chatos que falam "aproveita agora pqe nunca mais vai ser bom assim".
eu virei aqueles adultos chatos.
chato mesmo é ser adulto.

as crianças que nos aguentem - a vida delas é boa demais (pelo menos das privilegiadas e cercadas de amor).


***


estamos em um parque nacional na divisa da georgia com a florida.
aqui maconha é ilegal, mas hoje eu já fumei dois baseados.

eu to de TPM, atolada de trabalho até o último fio de cabelo, cansada desse excesso de coisa que eu mesma me cobro o tempo todo.

vai fazer 14 graus essa noite.
comprei uma roupinha de frio pro pastrameco.
to louca pra vestir nele. vai ficar a coisa mais lindinha desse planeta.

mas é melhor esperar esfriar um pouco mais. ainda tá fresco. ele não tá com esse frio todo.


***


falta de assunto assola.

eu só vim escrever mesmo pqe dudu tá ali acabando de editar um vídeo que precisamos subir hoje.

eu passei a manhã toda trabalhando e me irritando com uma cliente. e ele esqueceu que tinha essa missão. depois ele dirigiu uma hora pra ir e outra pra voltar até a cidade mais perto. 
agora são 7 e meia. eu queria ter conseguido lavar o cabelo e outras tantas coisas.

eu ando cheia dos quereres só queridos.
toda hora uma coisa que eu queria e que não sai como eu pretendia.

um pouco de culpa minha por falta excessiva de planejamento.
um muito, talvez.
um tanto pelo dudu que tem os próprios quereres dele que volta e meia (ou, na verdade, quase que todo o tempo) são absolutamente diferentes dos meus.

já vem de um tempo que a gente tem se estranhado mais e mais nas pequenezas.
a gente concorda em tudo que é macro.
a gente quer as mesmas coisas da vida, mas a gente não concorda no dia-a-dia.
e isso é desgastante pra qualquer relação.
é cansativo.

faz a relação ficar bélica.

e isso sem contar os meus mood swings.
mas sem tirar dele a responsabilidade.

eu sei que eu não to fácil.
que eu tenho tido reações exageradas e que viro de um bom humor pra um péssimo de um minuto pro outro.

mas é que eu sinto às vezes - sempre - que ele gosta mesmo de testar a minha paciência.

seja porque ele dá valor pra as pequenezas erradas, ao meu ver, o que faz ele perder um tempo precioso e me deixa extremamente frustrada; seja pqe ele agora entrou numa de medir força e querer agir comigo como eu ajo com ele.

só que eu e ele somos diferentes. e ele agindo como eu só faz ele parecer bobo.
a coisa escorpiana.
só que eu não consigo levar a sério.
só consigo ter raiva.
pqe eu vejo que pra ele é um cabo de guerra.

'quem vai falar mais alto aqui sou eu', ele pensa.

só que o que me irrita não é o gritar, é a estupidez que me fez gritar e ai fez ele gritar de volta.

é o não entender da importância das coisas. é o não saber como resolver problemas simples de forma prática.

foda-se. eu que aprenda a lidar.
são 10 anos. já passou da hora de eu entender que ele é lerdo e que não tem jeito, que ele não vai fazer as coisas rápido e muito menos da maneira mais lógica e racional.

enfim. to só puta - de novo - com a lerdeza e maneira como ele age.
ta aqui me perguntando cade meu celular.
eu já respondi que tá la na frente. ele que procure.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

viva o meu pudim

esse tal de luisa com insonia é muito engraçado. do nada o nome faz todo o sentido outra vez.
ainda bem que eu perdi o sono e tive a chance de dar parabens pro pudim, e trocar ideia, e refletir sobre todas as emoções desses últimos dois dias.

ainda bem que eu tenho um amigo como ele - que eu posso contar até quando é o aniversário dele, e o foco deveria ser só ele, e ele me abraça e me ensina. 

ontem começamos a viagem. oficialmente. pra não voltar mais.
foram 5 meses de sonho, angústia, incerteza, medo, mão na massa, cansaço, trabalho árduo, trocas, aprendizados, novas experiências.
foram 5 meses que a gente aprendeu sobre motor, sobre madeira, sobre elétrica, e hidráulica, e parques nacionais, e amizades profundas e verdadeiras, e sonhos, e tantas outras incontáveis coisas.

ontem na vinda pra orlando eu tive uma epifania.
eu tava ali. presente. em absoluto.
tudo no mundo que importava éramos eu e dudu e pastrami.
e a baby rose.
e a nossa nova vida.

foi mágico viver aquele momento, celebrar aquela conquista. estar na estrada.
tudo bem que não era ainda o destino final.
mas, afinal de contas, qual é o destino final?
o nosso destino é a estrada.

chegamos em orlando, paramos o carro aqui no rod. 
acabamos dormindo aqui mesmo, nessa cama deliciosa e cheia de travesseiros, do jeito que eu gosto.
foi bom aproveitar um restinho de "vida normal" e ar condicionado.

mas a verdade é que eu já estou pronta pra vida "não-normal". 
era isso que eu queria o tempo todo, anyway.
se eu quisesse vida normal eu não tava indo morar numa van.
eu tava virando coach de empreendedorismo. rs.

anyways.

primeira noite. dormi bem. acordei com o alarme tocando, me avisando que estava na hora da reunião.
e ai, como meu sexto sentido não falha, perdi o cliente.
sem aviso prévio. sem tempo de me reestruturar. sem aviso prévio.

effective immediatly.

acontece. fazer o quê?
mas acontece também de eu me culpar pqe eu não fiz um contrato formal pedindo 30 day notice.
acontece de isso disparar em mim um gatilho escroto, uma crise de pânico horrivel, um medo paralisante.

e foi assim que eu passei o dia. completa e absolutamente paralisada.
chateada.
ruminando todas as coisas que eu escolho errado.
tentando encontrar culpados.
tentando me culpar por toda e qualquer escolha.

eu fiquei com raiva do dudu.
eu voltei àquele lugar de um ano atrás, em que eu não conseguia aguentar todo o peso e a responsabilidade. eu voltei pra aquele lugar que eu carrego em mim todo o peso de ter as respostas e as soluções pra tudo.
só que né. guess what?! eu não tenho. ninguém tem.

e ai, depois de um dia bem merda, tristeza profunda, depressão batendo que nem um soco na boca do estômago, eu consegui me sentir um pouquinho melhor.
sono. maconha. stake n shake. skank. dri. van. 
entrei num loop melhor, foi gostoso. 

é sempre bom estar com a dri pqe é um lugar de conforto. de estar perto de quem eu confio. de quem me conhece. de quem eu não preciso me explicar.

vim pra casa. voltei pra dormir muito bem, obrigada.
banho de banheira. aquilo tudo que eu já sei que me faz bem.

e ai agora assim, lá pelas quase 5 da manhã, me acordo. pensando já em soluções. em maneiras de resolver o problema.

o thi ontem, quando eu liguei, não tinha atendido. e ai ele me escreveu bem nessa hora.
me desculpei por não ter insistido muito (nas entrelinhas, mas ele entendeu, eu sei) e contei que tive o pânico outra vez.
e ele me lembrou de mim.

ele me lembrou dele.
de tudo que ele passou esse ano.
do tempo que ele levou sonhando com esse mestrado.
de como essa pandemia mudou todos os planos. mudou até a forma de encarar o sonho.

e no final das contas é a mesma coisa.
essa pandemia mudou tudo pra mim também.

mudou meus sonhos.
mudou meu jeito de encarar meus sonhos.

não é culpa minha.

eu sei que eu sou uma puta profissional.
eu sei que eu sou boa pra caralho no que eu faço.
eu sei que esses step backs da vida fazem parte.

e não - eu não vou ser aquela pessoa "paz e amor" excessiva e agradecer pela oportunidade de zonear a vida toda outra vez. eu queria agora um pouco de estabilidade. um mês que fosse.

e sem essa grana volto a estaca zero.
então sim, é claro que isso vai ser uma zona e tanto na minha vida.
mas eu vou olhar pra isso como um empurrão. pra eu estar mais perto do que eu realmente quero.

antes ainda vou conversar, tentar fazer com eles fiquem mais esse mês.
não vou jogar a toalha também sem nem tentar.
mas não é isso que vai me parar.

já estou cheia de ideias na cabeça e sei que alguma delas tem que dar certo.

e tenho muitos sonhos.
muitos.
e vou realizá-los.

eu construi, junto com dudu, nossos amigos e muita energia de amor, a nossa própria casa.
pedacinho por pedacinho.
piso, móvel, puxador de couro. teto, banheiro, sistema de luz. ar condicionado, ventilador no teto, standing table.

a gente fez isso.
A GENTE FEZ ISSO, PORRA.

não vai ser um cliente sair que vai me parar. ou acabar com o meu sonho. ou me fazer perder a fé em mim.

isso quem faz é a depressão.
e a depressão é uma doença.
e quando eu entendo isso eu me fortaleço.
pqe não é ela que manda em mim. sou eu que mando nela.
e eu não vou deixar a minha doença acabar com os meus sonhos.

eu vou continuar sonhando, e realizando, e fazendo acontecer.

junto com dudu, e pastrami, e baby rose, e os nossos amigos, e os novos amigos que vamos fazer na estrada.

***

e eu vou sempre celebrar thiago - essa força que é minha, mesmo não estando dentro de mim.
não importa tempo e nem distância e nem nada. porque nós somos. e nós sabemos que somos.

e nós sempre vamos comemorar o fato de que temos um ao outro pra nos fortalecer e nos apoiar.
nós sempre vamos ter um ao outro quando a coisa apertar.
e é assim que seguimos.

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feliz aniversário, pud.

que todos os dias você seja feliz, e que nunca te falte um amigo de verdade por perto - mesmo que ele esteja longe - pra te lembrar o quanto você é maravilhoso e incrível e merece ser feliz todos os dias.

te amo, thi. muito.
te desejo tudo que desejo pra mim.
às vezes um pouco mais - pqe eu sei que você quer ainda mais.

vai lá e faz o mundo todo ser seu.