segunda-feira, 21 de outubro de 2013
pequenos prazeres da casa da vovó
sair do banho e passar meus perfumes e cremes, e entrar no meu quarto, gelado de ar condicionado, tocando Dido bem baixinho, quase inaudível. olhar o edredom esticado, com os três travesseiros posicionados do jeito que eu gosto, e com o gato da Alice no lugar onde ele deve estar (mas ele não está onde deve estar). os cabelos molhados. experimentar roupas, sapato, bijus, bolsa, e deixar tudo separado para amanhã. colocar absolutamente tudo em seu devido lugar e me sentir muito, muito organizada (ofelinha). armar o alarme, pegar o harry potter. boa noite.
quinta-feira, 8 de agosto de 2013
E ai, assim, como quem não quer nada, numa manhã qualquer, alguém diz algo que me rouba, transporta, teletransporta, me faz viajar no tempo.
E ai eu fecho meus olhos (mesmo sem fechar, porque já não vejo nada.
E vou escrevendo enquanto sinto) e sinto a pele quente de sol que vai arrepiando de frio de brisa de mar de fim de tarde, e sinto cheiro de mar, de verão, de atafona, das casas de atafona, das coisas de atafona.
E quando me dou conta, sinto os pelos do meu braço se arrepiando. Estou arrepiada de uma sensação que não é física, mas extremamente tocável, palpável.
É que é bem isso mesmo. Viagem no tempo. É como se eu fosse de novo aquela garota de 15 anos, com todos os sonhos turvos e os desejos rasos, mas a alegria abundante e a coragem de quem tem 15 anos.
E aonde foi parar essa coragem? (agora minha perna está arrepiada também) Aonde foi parar essa menina?
Ainda está aqui, nos sorrisos e no carinho, e na maneira de tentar sempre ser uma boa pessoa para as pessoas. E também está aqui nas frustrações e indecisões e pequenas maldades de adolescência.
Mas, de algum modo, não é mais a mesma garota. Porque é menina e mulher, e porque escolheu ser mulher, mas, às vezes, quer só ser menina de novo.
E vou escrevendo enquanto sinto) e sinto a pele quente de sol que vai arrepiando de frio de brisa de mar de fim de tarde, e sinto cheiro de mar, de verão, de atafona, das casas de atafona, das coisas de atafona.
E quando me dou conta, sinto os pelos do meu braço se arrepiando. Estou arrepiada de uma sensação que não é física, mas extremamente tocável, palpável.
É que é bem isso mesmo. Viagem no tempo. É como se eu fosse de novo aquela garota de 15 anos, com todos os sonhos turvos e os desejos rasos, mas a alegria abundante e a coragem de quem tem 15 anos.
E aonde foi parar essa coragem? (agora minha perna está arrepiada também) Aonde foi parar essa menina?
Ainda está aqui, nos sorrisos e no carinho, e na maneira de tentar sempre ser uma boa pessoa para as pessoas. E também está aqui nas frustrações e indecisões e pequenas maldades de adolescência.
Mas, de algum modo, não é mais a mesma garota. Porque é menina e mulher, e porque escolheu ser mulher, mas, às vezes, quer só ser menina de novo.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
E ai eu sumi. Sumi daqui. Coloquei a insônia no modo mute e deixei a vida ir tomando conta das coisas. Sem pensar muito. Sem mensurar demais. Sem essa eterna/infinda reflexão torta dos meus anseios e dos rumos das coisas todas.
Acontece que as coisas aconteceram, bem como tudo há de ser, do jeito que tinham que ser pra me fazer feliz. E tudo está bem. E eu sou grata, muito grata, por tudo isso.
O trabalho que é tudo aquilo que eu queria é também divertido, completo, cheio de desafios infinitos e super deliciosos de desbravar.
O amor da minha vida é e será pra sempre a coisa mais maravilhosa que existe em toda a terra, que me faz french toast as 7 da manhã de segunda-feira e me deixa dormir mais quinze minutinhos. Ele é, de longe, a melhor coisa que o mundo já viu. E eu sei o quanto eu sou grata por ele existir e estar na minha vida.
E ainda tem, e sempre terão, os melhores pais do universo, o irmão mais amado (also o mais irritante) e os amigos! ah! os amigos... Esses juntos valem o mundo. E são o mundo. O mundo do amor, do suporte, da alegria, da paz de espírito, da compreensão, da espera (a eterna espera, OMG!, ainda bem que eles estavam lá comigo todo esse tempo).
...
Era isso.
Bisous.
(Um dia, quem sabe, eu volto)
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
encontrei um vaso, com um punhadinho de sementes, e junto um bilhete que dizia: "planta".
procurei areia, pus no vaso, coloquei um pouco da semente. não vingou.
me disseram que eu deveria usar terra. tirei a areia do vaso, pus terra e coloquei um pouco da semente. nada aconteceu.
pensei que se sinto sede, talvez a semente também sinta. joguei um pouco de água e alguma coisa mudou por ali.
a plantinha começou a nascer, mas ela ainda era muito pequena e sem força.
um dia, fui passear, e levei o vaso comigo. um pouco de sol trouxe mais for;ca à plantinha. comecei a regar e levar ao sol sempre.
fiquei sabendo que existe uma coisa chamada adubo, e que adubo é bom pra plantinhas. foi difícil de conseguir adubo. não é muito comum na cidade grande. busquei la no interior, procurei em lugares que eu nunca fui. até que encontrei adubo.
com o adubo, a água, e um pouco de sol, a cada dia eu percebia uma mudança na minha plantinha. ela finalmente brotou, e vingou.
e ai, era água pra ca, sol pra la, adubo acolá. toda hora eu ficava ali, em volta da planta, vendo ela crescer.
um dia quando eu acordei e fui olhar a minha plantinha, vi que ela tinha um botão de flor. fiquei pensando que aquela seria a flor mais linda de toda a terra. a flor mais cheirosa e a mais forte. a mais cheia de qualidades entre todas as flores que existem.
a flor era realmente tudo isso. e ainda mais. eu passei a contemplar aquela flor com tamanha paixão que toda a minha vida se modificou pra que eu tivesse tempo e disposição pra contemplá-la. eu olhava a flor, fotografava a flor, contava para os meus amigos que aquela era a flor mais linda de todas. e eu não cansava de passar meu tempo enumerando as qualidades daquela flor, de tentar encontrar toda a beleza presente ali.
ocupada com a minha contemplação, o tempo de regá-la foi tornando-se mais escasso. mas aquela flor tão forte poderia resistir a um dia sem água, porque afinal de contas, ela era a mais forte das flores. ela também poderia resistir a dois dias sem sol. ela já estava tão bonita, que o sol não seria assim, tão importante... e até mesmo o adubo, não era nada de mais esquecer de adubar a flor por uma semana.
em algum tempo, a minha bela flor começou a mostrar que estava diferente. perdeu a cor e o vigor. foi ficando fraca, fraca, até que um dia, enquanto eu olhava triste pra ela vendo a sua fraqueza, ela se virou pra mim, abriu os olhos e começou a falar:
- sem água, sol e adubo não vou continuar sendo bela e forte. para me contemplar você precisa me regar, me levar pra passear no sol, me trazer terra fresca e adubada. me alimentar com tudo aquilo que você mesma precisa.
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